sexta-feira, 17 de julho de 2026

CUITÉ: 258 ANOS DE CHÃO, FÉ E PERGUNTAS

 


Flauberto Fonseca


Mais um ano chegou, e comemorar o aniversário de Cuité é parte integrante de nossas conquistas. Porém, antes precisamos entender todo o contexto da história: desde a fundação até os dias atuais.

O nome Cuité tem origem no coitezeiro. No dialeto indígena, "Cuy" significava vasilha e "Eté", grande, real, ilustre. Eram os Sucurús, da nação Tarairiú, quem habitava a Serra de Cuité antes da chegada do homem branco. 

No fim do século XVII, após a guerra de expulsão dos chamados “bárbaros”, o povoamento começou. Chegaram os primeiros povoadores das margens do Rio São Francisco e da Zona da Mata pernambucana, em busca de terra para lavoura e gado.

É de ciência pública que a primeira sesmaria da região data de 8 de dezembro de 1704. O Conde de Alvor pediu terras ao longo do Olho D’água do Cuité. 

No mesmo mês, outros sesmeiros requereram datas às margens do Rio Jacu. Quase todos, porém, tomavam posse por procuradores.

Na mesma época, o coronel Caetano Dantas Correia requereu a data Lagoa do Cuité. A ele se atribui a fundação do município, junto com sua esposa, Josefa de Araújo Pereira. Em 17 de julho de 1768, doaram meia légua de terras nas proximidades do Olho D’água para erguer uma capela em honra a Nossa Senhora das Mercês. 

Essa escritura, lavrada em Piancó, é considerada a “certidão de batismo” de Cuité e foi descoberta pelo historiador Coriolano de Medeiros.

Fazendo uma leitura clara das rotas que Caetano Dantas usava para acessar a Serra, "entendo que" não há dúvida: a entrada se dava pelas terras da atual Frei Martinho.

Falo geograficamente por nossa proximidade com Carnaúba dos Dantas, na divisa com a Paraíba, também ligada ao nome do sesmeiro.

As décadas finais do século XVIII são obscuras. O certo é que o agrupamento em torno da capela só ganhou forma urbana após a criação da freguesia. 

Em outubro de 1827, pela Lei Provincial nº 15, nasceu o Distrito de Paz de Cuité. Em 4 de maio de 1854, virou Vila do Cuité. Em 25 de junho de 1872, a Lei nº 480 criou a Comarca de Borborema, com sede na vila.

Por razões políticas, em 29 de outubro de 1904 a comarca foi transferida para Picuí. Cuité ficou subordinada até 18 de dezembro de 1936, quando a Lei Estadual nº 99 restaurou o município com o nome de Serra de Cuité. 

A emancipação veio de um movimento popular: Jeremias Venâncio, João Venâncio, padre Luiz Santiago, Pedro Viana da Costa e tantos outros. 

O município foi instalado em 25 de janeiro de 1937. No ano seguinte, o Decreto-Lei nº 1.164 simplificou o nome para CUITÉ.

Hoje, o que traduzimos como referências são muitas narrativas e escritos que lastreiam nossa história. Ainda que existam anotações de diversos autores, sempre haverá perguntas sem respostas: onde, de fato, a cidade começou e até onde seu expansionismo alcançou nos primeiros anos de ocupação do platô serrano?

258 anos depois, Cuité carrega no nome a cuia indígena, no chão a sesmaria de Caetano Dantas e na memória a luta de um povo que fez e faz uma cidade com fé, tenacidade e coragem.

Que o município alcance, por movimentos sólidos e constantes, inspirada em toda a sua potencialidade e de mãos dadas com o seu povo, o desenvolvimento tão almejado.

Parabéns, Cuité, pelo transcorrer de mais um ano de fundação. Que seu povo tenha o reconhecimento por sua valorosa contribuição em prol do seu desenvolvimento.

Flauberto Fonseca

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Casal de Campina Grande morre atropelado ao colidir moto em traseira de carro em Soledade

 



Um casal de Campina Grande morreu em um grave acidente na PB-177, em Soledade, na tarde do domingo (12).

As vítimas foram identificadas como José Felipe Monteiro Tavares, de 21 anos, e Eduarda Nero Custódio, de 16 anos.

Segundo a Polícia Militar, a motocicleta em que eles estavam bateu na traseira de um carro que seguia no mesmo sentido da rodovia.

Com o impacto, os dois foram arremessados para a pista e acabaram sendo atropelados por outro veículo que vinha na direção contrária. Ambos morreram no local.

O motorista do primeiro carro prestou depoimento e foi liberado.

A Polícia Civil investiga as causas do acidente com auxílio da perícia realizada na rodovia.


Paraíbaonline

Padre Edjamir Silva Souza:– A semente do Reino e o Espírito que produz vida

 




A liturgia da Palavra neste 14º Domingo do Tempo Comum nos faz uma pergunta: Como estamos acolhendo a Palavra de Deus?

Na 1ª Leitura (Isaías 55, 10-11) o profeta nos fala da eficácia da Palavra de Deus. É uma palavra de consolação a um povo que esteve no cativeiro. Ele sabe que a Palavra de Deus proclamada não retorna ao céu sem produzir frutos. A terra árida produzirá frutos. A natureza tem um ciclo de produção e se torna imagem da própria vida. Cada qual garante sua participação: a chuva, a semente, a terra boa.

A Palavra de Deus sempre será um estimulo de ação e nunca um anestésico que nos coloque em relação passiva diante do mundo. A medida de nossa responsabilidade passa pela resposta que damos ao Reino da Vida,

Na 2ª Leitura (Rm 8,18-23) Paulo continua ensinando que o caminho da salvação oferecido por Jesus não é fruto de nosso mérito, mas uma dádiva única e exclusiva da bondade de Deus. A salvação atua em nós pela ação do Espírito Santo quando lhe damos abertura.

Paulo universaliza a salvação dizendo que toda a criação precisa viver uma vida de acordo com os desígnios de Deus. A vida plena depende das escolhas que são feitas. O apóstolo ensina que por causa do egoísmo humano a criação sofre. A vida não pode acontecer quando as pessoas vivem na carne (egoísmo, arrogante, etc). O horizonte de maldição e de morte ocorre, não por misticismos, mas quando o egoísmo se expande.  Viver no Espírito é fazer a vida acontecer para todos. O Espírito de Deus faz acontecer um novo céu e uma nova terra. Mas, viveremos na lógica da dor enquanto o pecado reinar nos corações das pessoas.

O Espírito nos faz atravessar as duras etapas da vida, mas ele mesmo nos dirá as renúncias necessárias que devemos fazer para que a vida aconteça. A mulher em dores de parto é a imagem de que as dores de certas renúncias podem favorecer para que a vida aconteça.

Quando imaginamos os senhores que detém as grandes fortunas renunciando a lógica do ter para partilhar, quando imaginamos que os senhores das guerras renunciam suas ambições e desfazem os instrumentos de guerras para que haja a paz, quando renunciarmos nossa mania de querer dominar tudo, então, a vida acontecerá para os outros e a vida nova no Espírito acontecerá, mesmo como que em dores de parto.

Somos resistentes às renúncias porque temos medo da sensação de ter perdido algo, de ter deixado algo para trás, dessas vulnerabilidades interpretadas erroneamente como fracasso ou fraquezas, queremos ser onipotentes. Achamos que ter tudo ou controlar tudo é a garantia de viver bem.

A vida dá sinais de dores quando a exploramos de modo errado, mas quem terá a sabedoria do Espirito para perceber isso? A ideologia da meritocracia não aceita que tudo é de Deus e, por isso, tem medo de que o evangelho desmonte os senhores deste mundo. Estes senhores fazem a vida sofrer.

O cristão tem que perceber, no Espírito, quando as renúncias são vazias de sentido. Nossa sociedade é carente de sentido e, por isso, muito fácil aos oportunistas disfarçados de “gente boa”. O que significa fazer jejum, quarentenas, grandes procissões, ser assíduo na missa dominical, distribuir cestas básicas quando fazemos isso sem o propósito de que a justiça do Reino de Deus aconteça (cf. Is 58, 3-9. Mt  9,14-15). O que significa vender sua casa ou seu transporte para dar tudo de oferta a um pregador que vive só pedindo dinheiro (e vive no luxo) e fazendo promessas vazias e você mesmo ficar na dependência dos outros ou mesmo na miséria. Será que essa é a renúncia que Deus quer? Não seria a vontade daquele empolgado pregador?

Compreendamos de uma vez por todas que a criação deve ser vista no espírito de fraternidade e partilha. LEMBRE-SE QUE TUDO É DE DEUS E NINGUEM É DONO DE NADA E NEM SENHOR DE NINGUÉM. Lembre-se que os pequenos hábitos de renúncias podem mudar a vida e inspirar muita gente boa (na justiça e na paz). Deixemos para as futuras gerações um ambiente seguro e de vida fraterna.        

No Evangelho (Mt 13, 1-23) entramos nas Parábolas do Reino. Jesus prefere ensinar o Reino dessa maneira e não como os velhos esquemas dos fariseus. Jesus é o semeador que saiu para semear o Reino no terreno da vida. Quem dá abertura, então, a vida nasce (ou renasce) e produz frutos. As parábolas não são ensinamentos prontos, mas desafiam o povo a pensar a vida...

Enquanto Jesus semeava foi acusado pelos fariseus de desobediência e chamado até mesmo de Belzebu, porque fazia o bem. Como é difícil para muitos que estão ligados ao templo compreenderem que é fazendo o bem que nos salvamos. Os fariseus radicais e piedosos tinham dúvidas em relação a isso. Eles viviam pedindo sinais e os gestos de bondade eram insuficientes para que eles acreditassem. As propostas de Jesus encontravam resistências e fechamentos por parte de muitos. Mas, quem acredita Nele dará frutos mesmo em meio as descrenças dos outros.

Em nosso tempo o Reino enfrenta as distrações e os ruídos de uma sociedade que espalha ódio. A Palavra de Deus, caída à beira do caminho das nossas supercialidades, está sujeita aos pássaros que hoje roubam as sementes: a cultura do ódio e cancelamento por causa da cor, gênero, região, situação econômica e social. Há pessoas que detestam ouvir isso.

É muito comum encontrar igrejas lotadas para ouvir palavras de conveniências, mas quando as profecias do Reino nos chegam com toda a sua força e originalidade, então, perdemos a empolgação. Gostamos de cantar que nossa vida tem sido “como a terra seca que anseia pela chuva”, mas quando a chuva que semeia o Reino dentro de nós chega, não nos comprometemos, pois queríamos apenas cantar para sentir uma emoção. CONTINUAMOS SENDO TERRA SECA.

O Reino de Deus, anunciado por Jesus, denuncia os espinhos da ganância que sufocam o bem comum e a fraternidade. Uma sociedade injusta sufoca inclusive a saúde mental do povo e a vida do trabalhador. Os espinhos da vaidade e a busca desenfreada pelo status social disfarçam muito bem as falsas religiosidades de nosso tempo. A teologia da prosperidade disfarça muito bem as inversões de valores onde as coisas valem mais do que as pessoas. O acúmulo dos bens sufoca a proposta do REINO DE DEUS.

Quando nossos pregadores não se comprometem com a justiça, são estes que vivem a beira do caminho. Chacoalham e emocionam as assembleias, mas não tem maturidade para enfrentar as injustiças da vida, não estão preocupados com a Aliança e nem com o bem do povo.

Jesus é o semeador que escandaliza. Ele é Palavra semeada que denuncia o sintoma social que todo mundo vê, mas faz de conta que não vê. Ele questiona todo o escapismo espiritual de quem vive dizendo “Senhor, Senhor”, mas nunca será salvo por causa de sua indiferença.

Às vezes, a semente não entra, porque se ela entrar vai quebrar a nossa ilusão de que somos “pessoas de bem”. Concluo retornando a pergunta que fizemos no início: Como estamos acolhendo a Palavra de Deus?

Boa semana!

 

Edjamir Silva Souza

Padre e Psicólogo


sexta-feira, 10 de julho de 2026

Campus Cuité da UFCG sediará o I Congresso Paraibano de Neurociências em dezembro de 2026



 O Centro de Educação e Saúde da Universidade Federal de Campina Grande (CES/UFCG), campus Cuité, promoverá, entre os dias 1º e 3 de dezembro de 2026, o I Congresso Paraibano de Neurociências (I CONPNEURO), evento técnico-científico que reunirá pesquisadores, docentes, profissionais e estudantes de graduação e pós-graduação para discutir os avanços das neurociências.




Com o tema "Interfaces entre neurodesenvolvimento, saúde mental e envelhecimento", o congresso foi idealizado por docentes do CES/UFCG vinculados a núcleos e grupos de pesquisa da área e tem como objetivo fortalecer a integração entre ensino, pesquisa e extensão, além de estimular o intercâmbio científico entre instituições de diferentes regiões.

Durante os três dias de programação, os participantes terão acesso a palestras, mesas-redondas, minicursos e apresentações de trabalhos científicos, abordando diferentes perspectivas relacionadas ao neurodesenvolvimento, à saúde mental e ao envelhecimento.

A iniciativa busca incentivar a produção científica, ampliar o diálogo entre pesquisadores e profissionais e promover a disseminação de conhecimentos que possam contribuir para o desenvolvimento de práticas baseadas em evidências nas áreas da saúde, educação e comportamento.

O evento será realizado nas dependências do Centro de Educação e Saúde da UFCG, em Cuité, município localizado na região do Curimataú paraibano.

A Comissão Organizadora é composta pelas professoras Camila Carolina de Menezes Santos Bertozzo (Coordenadora Geral), Mayara Queiroga Estrela Abrantes Barbosa (Vice-Coordenadora Geral), Raphaela Veloso Rodrigues Dantas (Presidente da Comissão Organizadora), Flávia Negromonte Souto Maior (Vice-Presidente da Comissão Organizadora) e Nathanielly Cristina Carvalho de Brito Santos (Presidente do Comitê Técnico-Científico).

A programação completa, bem como as informações sobre inscrições e submissão de trabalhos, será divulgada oportunamente pelos canais oficiais do evento.

Informações:

Instagram: @conpneuro.ces

E-mail: conpneuro.ces@gmail.com