Flauberto Fonseca
1. A ORIGEM NO SÉCULO XVIII
No começar do contar de sua história, é justo lembrar que tudo nasceu lá no distante século XVIII, quando Caetano Dantas, por invocação a Nossa Senhora das Mercês, doou terras para levantar uma capela em sua devoção.
Reza a história que a imagem da Mãe Mercês chegou aqui carregada no lombo de um animal. Por ordem de sua esposa, Dona Josefa de Araújo Pereira, ficou guardada em casa. E quando a capela ficou pronta, foi para lá levada e colocada em um pedestal.
2. A CRIAÇÃO DA FREGUESIA
Em 12 de agosto de 1801, moradores da Serra de Cuité foram até Mamanguape. Apresentaram-se ao vigário João Feijó e assinaram um termo dando garantia do sustento dos párocos. Tornava-se, assim, viável a presença de um vigário.
É salutar recordar que a criação da freguesia veio do século XIX. Tudo começou através da Freguesia de Nossa Senhora de Santana de Caicó, que nos concedeu a graça e para o nosso povo abriu um novo caminho de fé.
A história guarda para ninguém esquecer: o primeiro catequizador e vigário foi o Padre Manuel Fernandes. Ele abriu as portas da oração e acolheu o nosso povo para professar a fé e respeitar os sacramentos cristãos.
A Freguesia de Nossa Senhora das Mercês de Cuité tem representação e altivez. Faz dos seus fiéis paroquianos um orgulho. É a terceira paróquia mais antiga da Diocese. E isso nos concede um olhar diferenciado, de respeito, devoção e muita admiração.
3. A NOVA MATRIZ E A CARIDADE
No distante ano de 1947, a nossa atual Matriz foi inaugurada. Deu uma nova visão de fé. Teve como mentor o Padre José de Barros. Fez dela um lugar de destacado e acolhedor esplendor. Hoje já são 79 anos de pleno fervor.
Muito se fala de catequese hoje. Mas nos meados do século XIX ela já era presente. Foi a Irmandade de Nossa Senhora do Desterro a primeira a ser criada. Estava à frente do necessário para professar, por benevolência, suas caridosas ações. Fazendo de tais atitudes uma verdadeira mobilidade de fé.
4. A CASA PAROQUIAL E A VOZ DA PARÓQUIA
Lá no mear do século XX surgiu a Casa Paroquial, por obra e gestão do engenhoso Padre Luís Santiago. Foi construída a primeira casa da paróquia. Era necessária e urgente. Bem centralizada, com um jardim na frente, dava mais conforto e regalo ao vigário.
Com as inovações das ações pastorais, já nos anos sessenta, um terreno foi comprado com recursos angariados na festa da Mãe. E uma nova Casa Paroquial começou a ser erguida. Coube ao Padre Boleslau iniciar a construção e ao Padre José Rodrigues terminar.
No limiar dos anos sessenta a paróquia ganhou voz. A estação de "alto-falante" começou a funcionar. Fazia as transmissões religiosas ganharem a rua. E o povo de longe escutava que o ofício ia começar. Com a difusora paroquiana, a comunicação melhorou. E a paróquia só ganhou.
5. OS ANOS DE MUDANÇA E REVOLTA
Na década de sessenta ocorreram muitas renovações. Vieram as normas litúrgicas do Vaticano II. Trouxeram modificações que geraram insatisfação. Muitos fiéis não aceitaram as imposições. Começou uma grande revolta por causa das mutilações, baseadas em uma duvidosa interpretação.
Consta nos apontamentos que, por falta de estudo criterioso das determinações litúrgicas, dois altares laterais foram ao chão. Para a comunidade, aquele ato parecia insano e sem prescrição.
Foi também o fim do velho motor que iluminava a casa da Mãe. Com a chegada da luz elétrica de Paulo Afonso, no primeiro mês de 1977, uma nova iluminação se instalou. Deu à Matriz um novo fulgor. Até a Casa Paroquial ganhou nova cor. Foram tempos de inovação que ajudaram muito.
No meu fraco entendimento, março de 1967 será sempre lembrado por um ato que entristece, por quem devia preservar. Falo da atitude do Padre José Rodrigues, que por sua ordem derrubou o nosso belo Altar-Mor.
Para muitos cuiteenses, o nome do Padre José Rodrigues de Oliveira ficará memorizado. Usou as normas do Vaticano II ao seu bem entender e deixou o povo revoltado. No meu tempo de menino eu escutava pelas ruas que ele era tratado como "Persona Non Grata" na cidade.
6. O TEMPO NOVO COM PADRE DONATO
Não tenho de memória todos os padres que militaram em nossa freguesia. Mas é importante lembrar que cada paroquiano tem o seu de preferência. Agora, cá entre nós, somos unânimes: no apagar dos anos sessenta tivemos a gratificante e redentora chegada de Padre Donato Rizzi. Ele concedeu um novo tempo ao lugar.
Eu falo com propriedade dele. Com seu jeito de pensar e atuar nos deu uma nova vertente, tendo a Mãe Mercês como luz e guia de muita espiritualidade. Meu póstumo muito obrigado, Padre Donato Rizzi, por tudo que fez e de bom que semeou em Cuité.
7. HOJE: 225 ANOS DE FÉ
Para finalizar, minha memória já varia e não consigo levantar todos os nomes. Mas lembro de Luciano, de Severino, e dos atuais João Paulo e Marcos Souza. Obrigado a eles pela missão de continuar e propagar o nome da Mãe.
Hoje comemoramos os 225 anos da nossa paróquia, onde a fé e a devoção por Nossa Senhora das Mercês é a ponte que nos mantém próximos do Altíssimo.
Por Flauberto Fonseca
