CELEBRAMOS
O ACONTECIMENTO CENTRAL DE NOSSA FÉ: A RESSURREIÇÃO DE JESUS. Ele permanece
para sempre conosco. Aleluia!
A
liturgia da Palavra, para este domingo de Páscoa (cf. At 10, 34a. 37-43/Cl
3,1-4 ou 1Cor5, 6b-8. Mt 28, 1-10. Jo 20, 1-9. Lc 24, 1-12. Lc 4, 13-35), nos
apresenta alguns textos que remontam àquele dia da Ressurreição de Jesus. É um
dia inteiro com ressuscitado que nos diz “estarei convosco todos os dias” (Mt
28, 20).
O
evangelho da Vigília de Páscoa (Mt 28,1-10) testemunhou que a Vida que vem de
Deus é indestrutível. Mas, há uma pedra no caminho. Sentar-se nela pode
significar um sinal de que estamos cansados e já não temos muitas forças para
seguir a diante. Mas, também, pode ser sinal de que estamos “por sobre” aquilo
que impede a vida acontecer, sinal de vitória. O Evangelho diz que “o anjo
sentou sobre a pedra” (v.2) em sinal de vitória. Este anjo tem as mesmas
descrições e aparência de Jesus transfigurado. É a gloria de Deus.
O
evangelho testemunha (Mateus 28, 4) que a Jesus venceu a morte, mas para os que
ainda estão na morte essa experiência de vida não os leva a libertação, mas ao
contrário, afundam na morte: “os guardas ficaram com medo (...) ficaram como
mortos” (v. 4). A vida plena está sendo comunicada, mas eles reagem contrariamente,
vão aprofundando a “vida de morte”. A ironia do evangelho expõe uma
contrariedade, pois aqueles que estão no mundo dos vivos estão mortos, mas os
que estavam na morte, estão vivos!
Nos
versículos (5-7) o anjo acalma as mulheres dizendo para não terem medo. O medo
é para quem não se arrisca em crer. O
anjo sabe que as mulheres procuram, ainda, o crucificado, o amaldiçoado pelos
homens a “abandonado” por Deus.
“Ele
não está aqui” (v.6), o sepulcro não é capaz de reter aquele que é o “vivo” e
“vivente”, pois “Ele ressuscitou como havia dito”. É como uma criança – cheia
de vida – que alguém lhe coloca no cantinho da disciplina, mas logo ela sai
dali, pois ela é um ser cheio de vida e vivente. Ninguém foi feito para está
retido, preso ou amarrado.
“Vinde
ver o lugar onde ele estava, disse o anjo” (v. 6b). O ver aqui não tem caráter
cientifico, pois a ressurreição de Jesus transcende aquilo que é mensurável,
palpável e calculável. Elas vão ver na dimensão das bem aventuranças: “os puros
de coração” (Mt 5,8).
“Vão
à Galileia, pois lá o vereis” (Mt 28, 7), Jesus será sempre encontrado nos
lugares menos provável, nas periferias existenciais e geográficas.
Curiosamente, Jesus não aparece na cidade santa de Jerusalém. Já temos
maturidade evangélica para entender o quanto Jesus tinhas suas reservas sobre a
Jerusalém, chamando-o de “figueira seca” (cf. Mt 21,18-22. Mc 11, 12-14. 20-21).
“Uma
grande alegria tomou conta” (Mt 28, 8), este reencontro com a vida faz do
discípulo um mensageiro/anjo. Quem se coloca para anunciar a força da vida,
sempre se encontra com Jesus. E o discípulo deve entender que a recompensa
nunca será nesse mundo, mas no céu, pois o discípulo apontou sua vida para lá.
A vida indestrutível, a vida eterna, é oferecida ao ser humano.
“Não
tenham medo. Ide anunciar aos meus irmãos” (Mt 28, 9b-10) elas O adoraram, mas
foram convidadas a abraçar o anúncio da vida, sem medo! Aqui, Jesus chama os
discípulos de irmãos. Em outro momento Jesus chamava-os de amigos. O
ressuscitado não gosta de títulos e adjetivos de autoridade, pois seu Reino tem
um jeito familiar. A nascente comunidade cristã está aprendendo ali que ela não
é uma instituição burocrata, mas uma família, uma rede de testemunhas. Somos
irmãos.
“Jesus
nos mandou pregar a todos” (At 10, 42), isto é, anunciar aquilo que os profetas
anunciaram, aquilo que ouvimos e vimos (v 39-41). Ele é a pedra rejeitada que o
Pai lhe fez pedra angular (Sl 117(118), 22-23).
Em
João (20 ,1-9) o Cristo que andava pelo mundo fazendo o bem, Deus o exaltou. Mas
na lógica de Pedro, como também na lógica de muitos, aquele que se abaixa para
lavar os pés dos outros e que morre na cruz, não pode ser gerador de vida nova.
Em
nossos dias, no mundo dos influenciadores digitais e da moda, só quem comunica
algo para a vida são as pessoas bem sucedidas economicamente (coaching), são os
que conquistaram um padrão de vida financeira elevado, estão na moda e na
estética aceitáveis. Neste universo de relações, passamos a ter como modelo
alguém ascendeu a classe alta. No Reino de Deus, há uma outra lógica e uma
outra preocupação.. Os discípulos não são influenciadores de uma vida fútil, mas
de uma vida madura e plena de Deus.
Neste
dia santo queremos lhe desejar uma Feliz Páscoa, mas não uma felicidade
leviana, mas porque não estamos sozinhos. O Cristo caminha conosco. Os sinais
de trevas ainda estão presentes nesse mundo. Há muitos sepulcros sendo abertos
para colocar muita gente e, em muitas partes de mundo. Mas, se cada pessoa se
compromete a pensar, a fazer gestos e ações de paz, de dar as mãos, de
acreditar no projeto D’Aquele Jesus (da cruz e dos evangelhos e não aquele
criado pela vaidade e ganância humana), então, haverá paz.
Os
poucos que estavam com Jesus fizeram um grande barulho que até hoje se escuta:
“Ele ressuscitou!”, “a Vida venceu a morte!”. São os amigos de Jesus, seus
irmãos, que lealmente transmitem a paz que mundo precisa. E a ressurreição
acontecerá para aqueles que, associados à missão de Jesus Cristo, passam pelo
mundo fazendo o bem.
Feliz Páscoa da Paz e do Amor!
Edjamir Silva Souza
Padre e Psicólogo