segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Padre Edjamir Silva Souza: – Iluminar e dar sabor

 




Na Primeira Leitura (Is 58, 7-10) somos mais uma vez acompanhados, em nossa reflexão semanal, pelo grande profeta Isaías. O contexto é a reconstrução de Jerusalém (538 a.C). Jerusalém estava destruída e o domínio dos Persas recordava aos que retornaram do Exílio da Babilônia, para Judá, que eles não estavam totalmente livres.

Em meio a este contexto de reorganização há uma queixa de Deus ao povo: a denúncia de um culto vazio e estéril que não consegue sair do coração (ritualismo e exterioridade) e nem corresponde às questões da vida (cf. Is 58, 1-12), por isso, não tem o legitimo respeito ao dia santo (cf. 58, 13-14).

O que agrada a Deus nunca foi ou será a multiplicação de orações, palavras e cultos, mas como as pessoas se colocam dentro dele e como vivem a sua espiritualidade (os frutos da vida espiritual). Qual a resposta concreta de fé que o povo dá ao projeto de Deus.

No universo das praticas religiosas o “jejum” expressa a ideia da renúncia ao estilo de vida desgovernado que sempre causa situações de pecado (como o egoísmo). Ao ponderar a si mesmo e purificar-se desses pecados o penitente vai aprendendo a ser mais humilde e humano e, consequentemente, está apto a acolher o projeto de Deus. Caso contrário, todas estas práticas se tornam vazias e longe do seu sentindo original (espiritual- catequético-testemunhal).

A idéia do jejum é que atos de piedade moldem as pessoas ao estilo do projeto de Deus e, só assim, podem agradar ao Senhor e obter dele a intervenção para ocorrer tudo bem (58, 2). No texto, Deus começa a se queixar do povo. As pessoas começam a perceber que Deus não estava mais respondendo. Então, começaram a se queixar de Deus: “para quê jejuar, se Deus não faz caso? Para que se humilhar se Deus não presta a atenção” (58,3). E Deus responde, por meio do profeta: “É que no diz de vosso jejum só cuidais de vossos interesses, oprimis os vossos empregados, jejuais fazendo rixas e disputas, dando bofetadas” (58, 3b-4).

O Senhor, então, responde por meio do profeta: “reparte o pão com o faminto, acolhe os pobres e peregrinos em tua casa, veste o nu e não despreses a tua carne (…). Se destruíres teus instrumentos de opressão, deixares os hábitos autoritários e língua maldosa e se acolheres de coração aberto e prestares socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como meio-dia.” (58, 7-10).

Deus detesta quem procura viver uma espiritualidade e seus atos de piedade, mas sem conversão: explorando os pobres, tratando com violência de toda a ordem. ASSIM, TUDO SE TORNA UMA GRANDE MENTIRA. E o culto não chega ao céu (58, 5).

Falando pelo profeta Amós (5, 21-24) o Senhor disse ao povo:” Eu odeio e desprezo sua festas religiosas; não suporto as suas assembleias solenes. Mesmo que vocês me tragam holocaustos e ofertas de cereal, não me agrado deles. Mesmo que me tragam as melhores ofertas de comunhão, não darei a menor atenção a elas. Afastem de mim o som das suas canções, não ouvirei a música de suas liras. Em vez disso, corra a retidão como um rio e a justiça como um ribeiro perene”.

O mesmo Deus que nos falou pelos profetas também nos ensina hoje que não devemos nos enganar com o frenesir de igrejas lotadas, cultos sofisticados, madrugadas de orações, excesso de zelo com as coisas do culto se não há pessoas se humanizando e aprendendo a respeitar os outros. NINGUÉM ENGANA A DEUS.

O jejum que agrada a Deus é o cumprimento dos deveres éticos e humanos para libertar os oprimidos, eliminar as injustiças (históricas), a violência, o autoritarismo que promove a intolerância, a agressão e as ameaças (cf. Is 58, 6). O jejum servirá para ensinar e promover a empatia na vida social. Esse é o fruto de quem tem espiritualidade.

O Evangelho deste domingo (Mt. 5, 13-16) continua a catequese das Bem Aventuranças, que escutamos domingo passado, e atualiza a primeira leitura de hoje. Jesus usa uma linguagem simbólica (“sal da terra e luz do mundo”) para indicar alguns critérios para aqueles que querem segui-Lo e como devem testemunhá-Lo.

Sal e luz são apresentados como critérios de serviço: o sal dar sabor e a luz dissipa as trevas. O sal e a luz não são consumidos pelo que são (autoreferência), mas pelo que bem que trazem as coisas.

O evangelho nos faz algumas perguntas: o que se vive em nossas comunidades é a boa noticia? Será que nós conseguimos dar ao mundo algo que dê vida? que supere o clima de rixas, competições, autoritarismos, agressões? Ou ainda achamos que esses sinais de trevas são sinais de zelo apostólico?

No Espírito das bem aventuranças os cristãos aprendem as coisas puras do Reino de Deus: a pureza das intenções, a superação do egoísmo e da corrupção, a acolhida e compreensão para com todos, o perdão, o amor fraterno, o compromisso com a justiça, o cuidado para com os mais vulneráveis e o espírito de paz.

É tarefa dos cristãos dispersar os sinais de trevas contribuindo para a eliminar de toda espécie de preconceitos, calúnias e fazer chegar a luz da verdade aos ambientes corrompidos pela hipocrisia. O mundo espera que nós cristãos tenhamos o bom sabor de ser humano capaz de influenciar a sociedade ao bem. Ninguém diz: “como o sal é bom!”, mas diz “que comida saborosa!”. Tornar o mundo santo é dar sabor a ele, mas santidade não é um conceito vazio ou pessoas cheias de enfeites e práticas religiosas sem sentido algum, que não sabem dialogar com as coisas da vida.

Na segunda leitura (1Cor 2, 1-5) o apóstolo Paulo nos faz pensar que santidade não é militância de instituição religiosa que quer se sobrepor na altivez e arrogância, mas de serviço humilde e humano, pois assim é que demonstramos o poder da Palavra e ação do Espírito Santo (v.4). NOSSOS ANOS DE VIDA DE IGREJA JÁ NOS ENSINARAM ISSO? AS IGREJAS SE ALINHAM COM A PALAVRA DE DEUS?

Boa semana!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

UFCG, Prefeitura de Cuité e FHRPVC realizam visita preliminar ao antigo Hospital Pedro Viana

 



Na tarde desta quarta-feira (04), representantes da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) – campus Cuité, da Prefeitura Municipal de Cuité e da Fundação Hospitalar Regional Pedro Viana da Costa (FHRPVC) realizaram uma visita preliminar ao prédio do antigo Hospital Pedro Viana. O encontro teve como objetivo analisar e discutir a viabilidade de uma proposta para a futura instalação de uma clínica escola, integrada aos serviços de saúde do município. Atualmente, o local abriga a sede da 4ª Gerência Regional de Educação, onde o grupo foi recebido pelo gerente regional, Maricléferson Gomes.

A comitiva foi composta pelo diretor do CES/UFCG, professor Ramilton Marinho; pelo prefeito de Cuité, Caio Camaraense; pela secretária municipal de Saúde, Poliana Silva; pela professora Nilcimelly Donato (UANUTRI); pela professora Gracielle Malheiro (UANUTRI – Comissão Clínica Escola); pela professora Camila Montenegro (UAS); pelo professor Clemilson Silva (UANUTRI); além do Dr. Jaime Pereira Filho e de Fátima Fialho, representantes da FHRPVC.


Ascom CES/UFCG

Governo Federal cria Assentamento Elizabeth Teixeira

 



Sob um clima de emoção e reparação histórica, o Governo Federal oficializou, na manhã de ontem, a criação do Assentamento Elizabeth Teixeira, entre os municípios de Sobrado e Sapé, na Zona da Mata paraibana. O ato põe fim a um dos conflitos agrários mais longos do Brasil e assegura a 21 famílias o direito de permanecer e produzir na terra pela qual lutaram durante mais de seis décadas.

O assentamento recebeu investimento de R$ 8.294.828,59 e tem área total de 133,4889 hectares. A iniciativa beneficia famílias do distrito Barra de Antas, assegurando acesso a políticas públicas como crédito rural, assistência técnica e programas de apoio à agricultura familiar, fundamentais para a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida.

A portaria que institui o assentamento foi assinada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, em cerimônia realizada no próprio local da disputa. Além da criação do Assentamento Elizabeth Teixeira, o evento também marcou a assinatura de outras duas portarias voltadas à reforma agrária na Paraíba: a criação dos assentamentos Dom José Maria Pires, em Santa Rita, e Vanderley Caixe, em Pedra de Fogo. Também foi anunciada a aquisição do imóvel Sítio Geribita, no município de Taperoá, que beneficiará outras 21 famílias. 

 

De caráter agroextrativista, o novo assentamento será implantado em área atualmente ocupada por plantações de cana-de-açúcar. Por meio de contratos de concessão de uso, cada família poderá explorar a terra e desenvolver atividades voltadas à produção de alimentos e à agricultura familiar.

Ao anunciar a medida, o ministro Paulo Teixeira destacou o peso simbólico da decisão para a história do país. “Hoje estamos resolvendo o conflito agrário mais antigo do Brasil. Durante muito tempo, a elite brasileira não compreendeu a necessidade da reforma agrária. Se ela tivesse sido feita no tempo certo, talvez o Brasil fosse ainda mais desenvolvido. Na história da luta pela terra, já está escrito o nome de João Pedro Teixeira, e a memória viva dessa luta se chama ‘Elizabeth Teixeira’. Transformar seu nome em assentamento é um reconhecimento à sua resistência e à luta das mulheres do campo”, afirmou.

O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Cesar Aldrighi, ressaltou que a criação do assentamento representa a retomada das políticas públicas voltadas à reforma agrária. “É um orgulho estar aqui e reconhecer este assentamento. Entregar terra a 21 famílias é reconhecer que a origem da reforma agrária está nesta luta da Paraíba. Esse avanço só é possível porque o Brasil retomou a democracia. No país, já criamos 165 assentamentos e atendemos mais de 65 mil famílias, mas ainda há muito a fazer. O Incra não tem o direito de parar enquanto todas as famílias que esperam pela terra não forem assentadas”, declarou.

A diretora de Obtenção de Terras do Incra, Maiara Coraci, reforçou o simbolismo do momento para o estado e para o país. “Este é um marco histórico para a Paraíba e para o Brasil. Nada disso seria possível sem a persistência das famílias ao longo de 64 anos. O Incra é apenas um instrumento da vontade do povo brasileiro, e essa conquista mostra que a luta nunca foi em vão”, frisou.

O procurador do Ministério Público Federal (MPF) na Paraíba, José Godoy, também destacou a dimensão histórica da conquista. “Este momento é muito mais que reforma agrária: é reparação social. São 64 anos de luta do povo por um direito fundamental, o direito à terra. Reconhecer essa história é reconhecer uma dívida do Estado brasileiro com as famílias camponesas”, pontuou.

A emoção também marcou o discurso de Juliana Elizabeth Teixeira, neta da homenageada e presidente do Memorial das Ligas e Lutas Camponesas. “É um ato de justiça histórica. Minha avó transformou dor em coragem e mostrou que reforma agrária não é benefício, é dignidade para quem trabalha na terra”, disse.

Para o agricultor Eduardo Silva, nascido e criado na comunidade, a oficialização tem significado profundamente simbólico. “É um marco histórico na luta pela terra. Homenagear Elizabeth é uma reparação por tudo que ela enfrentou nas Ligas Camponesas. Nós somos fruto dessa resistência”, falou.

 A União