terça-feira, 28 de julho de 2026

Com shows de Seu Pereira, Jô Bay, Renata Arruda e Sandra Belê, Festival de Inverno das Serras começa nesta quinta-feira em Cuité

 



 Cuité se prepara para viver quatro dias de intensa programação cultural, artística, gastronômica e esportiva com a chegada do Festival de Inverno das Serras (FIS 2026). O evento tem início nesta quinta-feira (30) e segue até o domingo (2), reunindo atrações musicais, apresentações culturais, oficinas de artesanato, feira gastronômica e diversas atividades na Rua Valdemar Ernesto dos Santos, ao lado da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Mercês.

Entre os destaques da programação musical estão os shows de Jô Bay, com um tributo a Tim Maia, Sandra Belê, Renata Arruda, Kevin Ndjana e Seu Pereira e Coletivo 401. A abertura oficial acontece na quinta-feira (30), às 19h, no Teatro Municipal Dona Chicota, com a presença do prefeito, autoridades locais, apresentação do Trio Aura e o espetáculo teatral Us Puliças. Logo após, os Seresteiros da Serra conduzem uma serenata até a Praça da Igreja Matriz, onde o palco principal recebe o show de Jô Bay.


Promovido pelo Fórum de Turismo Sustentável do Curimataú, o Festival de Inverno das Serras fortalece a interiorização do turismo na Paraíba, valorizando a cultura regional, a economia criativa e os artistas locais. Além de Cuité, o circuito também contempla os municípios de Araruna, Barra de Santa Rosa, Cacimba de Dentro e Dona Inês.


Para o prefeito Caio Camaraense, o festival é um momento de celebração da identidade cultural e também de fortalecimento da economia local. "O Festival de Inverno das Serras transforma Cuité em um grande ponto de encontro. É bonito ver nossas ruas ocupadas por famílias, artistas, empreendedores e visitantes que chegam para conhecer a nossa cidade. Isso mostra a importância de também investir em cultura”, afirma.


A despedida de um guerreiro: aos 81 anos, Frei Anastácio deixa a vida pública e não disputará mais eleições

 



SUEDNA LIMA

Uma das maiores referências da luta pela reforma agrária e pelos direitos dos trabalhadores rurais na Paraíba está se despedindo da vida pública. Aos 81 anos, Frei Anastácio não disputará as eleições de 2026 e encerra uma trajetória de mais de cinco décadas dedicadas à política, à fé e às causas sociais.

A decisão ocorre em razão do estado de saúde do ex-deputado federal e ex-secretário de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido. Pouco tempo após deixar a Secretaria para cumprir o prazo de desincompatibilização e se preparar para uma nova candidatura à Câmara dos Deputados, Frei Anastácio passou por uma cirurgia para tratamento de varizes nas pernas.

A recuperação transcorria normalmente, mas durante uma viagem ele sofreu uma queda em um hotel, bateu a cabeça e precisou ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Durante o tratamento, os médicos identificaram um coágulo na cabeça. Apesar da evolução clínica, o acidente deixou sequelas importantes, provocando sintomas semelhantes aos da doença de Alzheimer, comprometendo sua memória e sua condição física.

Atualmente, Frei Anastácio vive no convento franciscano de Lagoa Seca, onde recebe os cuidados dos frades. Em razão do quadro de saúde, não possui mais condições de disputar eleições nem de exercer atividades da vida pública.

Trajetória dedicada à justiça social e agricultura familiar

Natural de Esperança, no Agreste paraibano, onde nasceu em 1944, Frei Anastácio construiu uma história marcada pela defesa dos mais pobres, da agricultura familiar e da reforma agrária. Frade franciscano, transformou sua missão religiosa em um compromisso permanente com a justiça social.

Foi um dos fundadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na Paraíba, em 1973, tornando-se presença constante nas comunidades rurais e acompanhando de perto agricultores familiares, assentados, acampados e movimentos populares.

Toda essa caminhada também foi construída dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), legenda na qual militou durante décadas. Integrante da corrente Avante, ajudou a fortalecer o partido na Paraíba, formando lideranças e defendendo bandeiras ligadas à democracia, aos direitos humanos e aos trabalhadores.

Polêmica Paraíba


Cuité realiza I Seminário de Agricultura Familiar nesta quinta-feira

 


A Prefeitura de Cuité realiza, na quinta-feira (30), às 9h, o I Seminário de Agricultura Familiar, evento voltado ao fortalecimento do setor agrícola e à valorização dos agricultores. O encontro será realizado no Auditório do Centro da Criança e do Adolescente e é aberto ao público.

Com o tema voltado para o incentivo à produção rural e ao desenvolvimento sustentável, o evento contará com apresentações das principais ações desenvolvidas no município, reunindo agricultores, instituições parceiras, técnicos e a comunidade para um momento de troca de experiências.

Durante a programação, a equipe da Secretaria Municipal de Agricultura fará um balanço das ações desenvolvidas ao longo dos primeiros 18 meses da gestão do prefeito Caio Camaraense, destacando programas de incentivo à agricultura familiar, cursos e capacitações, projetos executados durante o período, serviços ofertados aos produtores, além dos resultados alcançados e das perspectivas para os próximos anos.

O evento contará ainda com a participação dee instituições parceiras. A EMPAER apresentará o Programa de Fomento Incluir PB; a UFCG, por meio do projeto Núcleo Eu Penso: do Campo ao Campus, compartilhará experiências voltadas ao fortalecimento da agricultura; e o Banco do Nordeste (BNB) promoverá uma palestra sobre financiamento rural, abordando oportunidades de crédito e investimentos para os produtores.

Ao final serão entregues certificados aos participantes de cursos e ações promovidas pela Secretaria de Agricultura. “O seminário é uma demonstração do compromisso da gestão municipal com o fortalecimento da agricultura familiar, reconhecendo o papel dos agricultores no desenvolvimento econômico e na segurança alimentar do município. Esperamos reunir produtores rurais e a população em um espaço de reconhecimento e construção de novas oportunidades para o campo”, pontuou o secretário municipal da Agricultura e do Abastecimento, Mário Ribeiro.


Ascom PMC

 

Padre Edjamir Silva Souza:– Uma semente que cresce no coração e tudo transforma

 



Em todos os momentos da história humana (que é história da salvação) o (re) encontro com Deus e seu projeto de vida sempre foi marcado por muitas alegrias e novas decisões, apesar das muitas tensões: a libertação do povo das mãos dos tiranos e perversos (Ex 7-14. Salmo 136(135), 10-15), o término das guerras (Jz 5. 2 Cr 20, 26-30. Sl 46), a luta contra a fome (Gn 41-47. Rt 1 e 2. 2Rs 7), o desmonte do sistema do crime e diminuição da violência (Sl 10,15. Sl 37, 14-15. Jó 5, 12-13. Sl 46, 9), a garantia dos direitos individuais (Ex 2, 13. 21, 16. 23, 1-2. 6-8. Nm 35. Lv 24, 22. Dt 24,17), o respeito e a inclusão das minorias (Lv 19- 33-34. 22, 21-23. Dt10, 18-19), etc. Isso nos faz pensar que o encontro com Deus é, também, um encontro com Seu Reino e a Sua Justiça” (cf. Mt 6,33).

Na liturgia deste final de semana celebremos as conquistas que Deus nos permite realizá-las. E se me permitem, preciso compartilhar este fruto...

O 20° Anuário Brasileiro de Segurança Pública , divulgado e Julho de 2026, mostrou que o Brasil (2025) registrou 40. 775 mortes violentas intencionais, uma queda de 8,2% representando um menor patamar em 13 anos. Mas, infelizmente, o país atingiu o recorde de 1.571 vítimas de feminicídio (2025), crescimento de violência psicológica (+17%) e perseguição stalking (+30%), 6.602 mortes por intervenção policial (+5,4%). No Estado da Paraíba a taxa recuou para 24,6 mortes por 100 mil habitantes. Foram 1026 crimes violentos letais intencionais (2025), equivalente a 3 mortes por dia. João Pessoa (233), Santa Rita (97) e Bayeux (56) tem o maior índice de violência do Estado. Santa Rita está entre as 10 cidades mais violentas do país e Campina Grande registrou o menor índice entre os grandes municípios paraibano (8,1).   

Sabemos que a violência é uma pauta séria de nosso tempo e ela tem muitas vertentes. Há muita coisa a se fazer e a Igreja, portadora do Evangelho da Vida (do Reino de Deus)  tem um papel fundamental na construção de um novo céu e uma nova terra. Mas, ela tem que está atenta à Palavra da Vida e aos sinais dos tempos.     

O que é o Reino de Deus? Essa é a grande causa de Jesus e a utopia de sua vida. Ele ensinou que o Reino de Deus é uma realidade espiritual que é semeada no campo da vida. Ele faz superar aquele espiritualismo vazio e o moralismo individualista (que reduz as coisas de Deus e as pessoas ao cumprimento de regras e rubricas e emocionalismo), mas algo que se manifesta no dom do amor, na verdade e na justiça. É semente que cresce no coração de pessoas livres, transformando relações e sociedades de dentro para fora.

O evangelho de semana passada (Mt 13, 24-43) nos alertava dos riscos que as comunidades enfrentavam ao acolher a semente do Reino: o joio (a tentação da presunção dos eleitos/meritocracia dos que se sentem superiores aos outros), o grão de mostarda (alertou  da grandeza) e o fermento na massa (alertava do desânimo).

No evangelho de hoje (Mateus 13, 44-52) Jesus continua nos convidando, através das parábolas, à fidelidade ao Reino que Ele ensinou. Porém, Jesus ensinou que para segui-Lo há que se apaixonar por esta causa ao ponto de deixar tudo para segui-Lo. O apóstolo Paulo descreveu muito bem esse “deixar tudo para traz”. Diz ele: “O que para mim era ganho, considerei perda por amor de Cristo” (Fl 3, 7-8).

Quando se encontra Jesus e seu projeto de vida a resposta não é marcada pela euforia das emoções e superficialidade (Mt 13, 20-21), mas pela alegre sinceridade de saber que escolheu estar do lado certo da vida e da história, isto é, dessa justiça do Reino semeada no campo da  vida.

Jesus disse que o Seu Reino não é uma proposta que se torna um fardo pesado (cf. Mt 11, 28-30), mas seu seguimento gera alegria. E a expressão “alegria” aparece 6 vezes no evangelho de Mateus. O seguimento de Jesus qualifica as pessoas e sociedades, não torna ninguém “escravo”, “coisa” ou “propriedade”, mas pessoas dignas. A Justiça do Reino de Deus resgata o ser humano do pecado e o reconecta com a boa arte de viver.

O Reino de Deus é uma busca, uma pesca, um dinamismo constante (e nunca um enrijecimento de coisas já prontas) e cotidiano de quem tem o desejo de vida, de liberdade, autenticidade, verdade e justiça.

“Separar os homens maus” (Mt 13, 49s). O final dos tempos (não é citado o final do mundo) Deus e seus anjos vão fazer esta separação, mas, a nós compete o discernimento: o que é joio e o que é trigo? Os fieis/justos que permaneceram unidos a Jesus e a causa de seu Reino terão vida eterna.

“A fornalha ardente”, uma figura usada pelo profeta Daniel (3,6) inspirou o que Jesus disse nesse texto ao se referir o fim daqueles que não compactuam com o Reino de Deus e a Sua Justiça. Segundo Daniel, Nabucodonosor, rei da Babilônia, condenava ao fogo todos aqueles que não o adorassem.

A fornalha ardente é a destruição completa de quem adora o poder, se destruindo completamente. Quem escolhe o amor, a generosidade, a partilha (próprio do Reino) terá o Reino de Deus, inaugurado por Jesus. A ganância, o poder, a idolatria leva o coração do ser humano à morte. O julgamento por parte de Deus será apenas uma constatação entre quem escolheu a vida ou a morte. Deus apenas separará. “Compreendestes tudo isso?” (Mt 13,51).

“Todo o Mestre da Lei (escriba) que se tornar discípulo de Jesus” (Mt 13, 51). O texto é um convite à conversão das autoridades do Sinédrio, mas serve para todos nós que desejamos seguir Jesus. É preciso ir à escola de Jesus para descobrir (ou mesmo redescobrir) o Reino de Deus. O discípulo de Jesus é discípulo da Nova Aliança e não de um retrocesso.

A historia continua e o Reino de Deus semeado entre nós faz nascer uma sociedade “alternativa” frente a lógica do mundo. Por isso que quem procura o Reino O encontra na vida.

A longa história humana é história de busca pela felicidade. Às vezes, buscando em Deus, às vezes, se distanciando Dele. Às vezes, as pessoas buscam a Deus, mas não querem conformar suas vidas segundo a proposta do Reino, mas apenas para obter favores sobrenaturais (Deus é reduzido a um guru, curandeiro, coaching). O Projeto do Reino de Deus parece não encantar mais. As pessoas de nosso tempo têm dificuldades de se despojarem de seus interesses mesquinhos para configurarem seu viver no dom do Reino. O anúncio eclesial parece ter dificuldades de alcançar a causa de Jesus. “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua Justiça” (Mt 6,33).


Feliz dia dos avós! Boa semana!

Edjamir Silva Souza

Padre e Psicólogo