Iniciamos o Mês de Maio com dias festivos cheios da
alegria pascal: mês dedicado a Maria,
festa da Ascenção, Festa de Pentecostes e Festa da Santíssima Trindade. Hoje,
5º Domingo da Páscoa, continuamos a meditar fielmente a Palavra de Deus e o
verbo (RE) CONHECER insiste em caminhar conosco.
Na segunda leitura (1Pd 2, 4-9) Pedro utiliza de muitas imagens cristológicas:
Cristo é uma pedra viva, firme e resistente. É uma alusão ao profeta Isaías
(28, 16): “Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa, quem
nela crer não será confundido”. Mas, uma pedra rejeitada pelos construtores (as
autoridades do povo). E, para estes, Jesus será sempre uma pedra de tropeço,
pois sua Palavra (cf. Mt 5,17-37) é motivo de reerguimento aos excluídos, mas
motivo de queda para os grandes (lc 1, 52) Aquele que escuta Jesus tem
vida e se torna “pedra viva”,
“sacerdócio santo”, “raça escolhida”.
A primeira leitura (At 6, 1-7) testemunha que as comunidades eclesiais foram
construídas a partir daqueles que puseram em prática o que Jesus ensinou: o
serviço diário aos mais vulneráveis.
No Evangelho (14, 1-12) encontramos uma comunidade desanimada pelo anúncio
da traição de Pedro (cap. 13). Este anúncio antecipa uma tempestade sobre os apóstolos.
Jesus tenta encorajá-los: “não se perturbe o vosso coração” (v.1)
Há
muitas notícias que recai sobre o povo que pretende jogar uma pá de terra na
esperança dos pobres e dos excluídos. Dia após dia se espalham as tramoias e a
corrupção para sustentar aqueles que sempre detiveram grandes fortunas,
privilégios e derrubar aqueles que trabalham pelo bem comum. Há sempre alguém
(ou grupos) que está (ão) disposto (s) a trair a Boa Nova do Reino de Deus sujeitando
as pessoas à eterna escravidão do pecado da desigualdade. A notícia é ainda
mais escandalosa quando esse “negar” ou “trair” vem de dentro da comunidade
eclesial.
Ao
que Jesus ensina há uma forte oposição, pois “Ele veio ser sinal de contradição
estando ao lado dos pobres” (cf. Lc 1, 52. 2, 34). Na vida eclesial, esta é a
mesma missão dos seguidores de Jesus.
“Credes
em Deus, credes também em Mim” (Jo 14, 1). Jesus une a fé no Pai e Nele, pois
Ele será capturado e assassinado por uma ideologia feroz que não reconhece suas
ações como enviado do Pai. Ele é chamado de blasfemador. Para muitos, o fato de
Jesus estar ao lado dos excluídos é interpretado como inimigo de Deus. Mas, ao
contrário do que muitos pensam, aqui reside o verdadeiro testemunho.
“Na
casa do Pai, há muitas moradas” (v. 2). Jesus contrapõe uma antiga idéia de que
a Casa de Deus é só para alguns eleitos. Ele ensina que “as muitas moradas” é a
idéia de que a Casa do Pai (ou a imensidão de Deus) acolhe as múltiplas formas
e maneiras inéditas de amor que não tem limites ou contornos ideológicos e
farisaicos que não permitem ir além. Por isso, Ele foi chamado de blasfemador. Jesus
não quis preparar aposentos (residências). É possível entender que a Casa do
Pai, somos todos nós, as muitas e múltiplas moradas que Ele mesmo prepara.
“Se
alguém me ama, guardará minha Palavra. Meu Pai o amará e Nós viremos a Ele e
Nele faremos morada” (v. 23). Cada indivíduo e cada comunidade são chamados a
ser um autêntico santuário que Deus habita no amor e na misericórdia. Cada
pessoa é templo de Deus e onde Ele está (no irmão) devemos estar também. Esse caminho
já conhecemos, é aquele mesmo que Jesus indicou “o amor que se torna serviço”.
“Não
sabemos para onde vais” (v. v. 5-6). Tomé representa o discípulo que, mesmo
convivendo tanto tempo na intimidade com Jesus, não sabe para onde Jesus está
levando a Igreja. Para onde Jesus quer chegar, Ele se apresenta como caminho,
verdade e vida.
O
discípulo só pode se tornar testemunha da verdade se permanecer no dinamismo do
caminho que Jesus fez. Um caminho que se expressa não em antigas discursões
teológicas frias e que levam a todo o tipo de preconceito e exclusão. O caminho
de Jesus nos leva ao dinamismo do amor que faz a vida e vida plena acontecer
para todos.
“Conhecer
Jesus é conhecer o Pai” (v. v. 7-10). O Pai se expressa em Jesus revelando uma
lógica diferente do mundo. Filipe parece não se convencer disso e, ainda, exige
um sinal para crer: “mostra-nos o Pai” (v. v. 8-10). Filipe é mais um discípulo
que tem muito tempo de comunidade e, ainda, não compreendeu Jesus. Quem viu
Jesus, viu o Pai, isto é, Aquele que defendeu os pobres, Aquele que fez dos
excluídos os bem aventurados, Aquele colocou o Amor como síntese dos seus
mandamentos, Aquele que lavou os pés...Este revelou como é o Pai. E isso
continua sendo uma blasfêmia para muitos.
Jesus é a única possibilidade de conhecer a
Deus. Ele é amor que se torna serviço: “não acreditas que eu estou no Pai e o
Pai está em mim?” (v. 10). Jesus ainda continua: “O Pai permanece em mim e
realiza as suas obras”. A força do Pai está nas Palavras e nos gestos de Jesus.
“Acredita-me”
(v. 11). Ele não pede para crer Nele por um sistema doutrinário, regras de boa
conduta litúrgica ou múltiplos devocionais, mas pelas obras que comunicam vida.
As obras em favor da vida do ser humano são mais essenciais do que os catecismos
que são modificáveis.
“Quem
acredita em mim, fará as obras que faço ou ainda maiores” (v. 12). As ações que
comunicam vida, todos poderão fazer. Todo o serviço à vida é uma extensão do
ministério de Jesus. Jesus dá um exemplo e pede que façam coisas maiores do que
Ele fez.
Tomé
e Filipe representam a incompreensão do discípulo que ainda não sabe o caminho.
Mas, não só ele, também nós. Se não acreditamos na dinâmica do amor, não somos
verdadeiras testemunhas do Reino de Jesus. Quando escutamos pregadores e autoridades desqualificando
professores, pensadores, acirrando os antigos discursos de misoginia,
xenofobia, aporofobia, violências de toda espécie por causa da orientação
sexual; já sabemos de imediato que esse não é o discurso do Reino. E Jesus já
havia alertado: “não sigais essa gente” (Lc 21, 8).
Boa semana!
Edjamir Silva Souza
Padre e Psicólogo
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