sexta-feira, 31 de julho de 2026

Paróquia Nossa Senhora das Mercês divulga programação do Jubileu de 225 anos de criação

 



A Paróquia Nossa Senhora das Mercês, em Cuité, no Curimataú paraibano, divulgou a programação oficial do Jubileu pelos 225 anos de sua criação. As celebrações acontecerão entre os dias 8 e 12 de agosto, culminando na data que marca o aniversário de fundação da comunidade paroquial.

Com o tema "Sob o Manto das Mercês: 225 anos anunciando o Evangelho na Serra de Cuité", o jubileu reunirá fiéis em cinco noites de celebração e ação de graças pela história de evangelização da paróquia, considerada uma das mais antigas da Diocese de Campina Grande.

As celebrações serão realizadas sempre às 19h30, na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Mercês, e contarão com a participação de padres filhos de Cuité e do bispo diocesano, Dom Dulcênio Fontes de Matos.

Programação

Sábado – 8 de agosto
Abertura do Jubileu
Celebrante: Padre José Hermes

Domingo – 9 de agosto
Celebrante: Padre Josandro Macêdo

Segunda-feira – 10 de agosto
Celebrante: Padre Thiago Macedo

Terça-feira – 11 de agosto
Celebrante: Padre José de Arimateia

Quarta-feira – 12 de agosto
Dia da criação da Paróquia
Celebrante: Dom Dulcênio Fontes de Matos, bispo diocesano de Campina Grande.

História

Fundada em 12 de agosto de 1801, a Paróquia Nossa Senhora das Mercês é considerada a terceira paróquia mais antiga da Diocese de Campina Grande, desempenhando um importante papel na evangelização do Curimataú paraibano ao longo de mais de dois séculos.

Seu primeiro vigário foi o Padre Manuel Fernandes Pimenta, nomeado na mesma data da criação da paróquia. A atual Igreja Matriz foi inaugurada em 27 de fevereiro de 1947, substituindo o templo original e tornando-se um dos principais patrimônios religiosos e históricos de Cuité.

Portal da Serra de Cuité

João afasta mal-estar em dividir convenção do PT com Ricardo e Veneziano

 




O ex-governador da Paraíba e pré-candidato ao Senado Federal, João Azevêdo (PSB), afastou, na noite desta quinta-feira (30), qualquer ‘mal-estar’ em dividir palanque com Ricardo Coutinho (PT) e Veneziano Vital (MDB) na convenção do Partido dos Trabalhadores (PT) da Paraíba.

João Azevêdo e e Ricardo Coutinho foram aliados e romperam em 2020.

Questionado pelo Portal MaisPB, João afastou desconforto e afirmou que ‘interessa’ é um ‘palanque para o Brasil’.

“O palanque hoje é do PT, é do Brasil. É isso que interessa e que importa”, disse o pré-candidato.

Mais PB

Lucas Ribeiro chama Lula de “maior presidente da história do país” e celebra apoio à reeleição

 




O governador da Paraíba e pré-candidato à reeleição, Lucas Ribeiro (PP), afirmou nesta quinta-feira (30), durante a convenção estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), em João Pessoa, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o “maior presidente da história do país”. Ao participar do evento da legenda, o governador destacou a parceria política com os petistas e comemorou a oficialização do apoio do partido ao seu projeto de reeleição.

Durante o discurso, Lucas ressaltou a importância histórica de Lula para o Brasil, especialmente para a região Nordeste, e citou obras estruturantes realizadas durante os governos do petista. “É de muito orgulho estar aqui e caminhar ao lado do partido do maior presidente da história desse país. O presidente do Nordeste, da transposição do Rio São Francisco”, declarou.

O governador também afirmou que considera fundamental o apoio do PT à sua pré-candidatura ao Governo da Paraíba e destacou o peso político da legenda no cenário estadual e nacional. Segundo Lucas, a aliança fortalece o projeto governista para as eleições deste ano.

“É fundamental a gente ter o apoio tão representativo do partido do nosso presidente Lula. O presidente que vai ser reeleito para um quarto mandato e que tem uma contribuição tremenda não só para o Brasil, mas para o nosso Nordeste, e que ainda tem muito a fazer”, concluiu o governador durante a convenção petista.

Fonte 83

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Parceria entre UFCG e Prefeitura de Cuité fortalece agricultores que abastecem merenda escolar

 


Os agricultores da comunidade Serra dos Brandões, na zona rural de Cuité, responsáveis pelo fornecimento de alimentos ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), receberam nesta terça-feira (28) uma visita técnica do projeto de extensão “Ecofeira: do Campo ao Campus”, desenvolvido pelo Núcleo Penso, do curso de Nutrição do Centro de Educação e Saúde (CES) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em parceria com a Prefeitura de Cuité.

A iniciativa busca fortalecer a agricultura familiar, aproximar a universidade das comunidades rurais e construir estratégias para ampliar a produção local e promover a segurança alimentar. Professores, pesquisadores e estudantes conheceram de perto a realidade dos produtores, visitaram as áreas de cultivo e discutiram, junto aos agricultores, as próximas etapas do projeto.



A professora Vanille Pessoa, do curso de Nutrição da UFCG, explicou que a atividade integra as ações de extensão da universidade e reforça a aproximação com as comunidades rurais. “Foi uma oportunidade de dialogar com os agricultores no lugar onde a produção acontece, conhecer as plantações, compreender a realidade de cada família e construir, junto com eles, os próximos passos do projeto. É um momento de troca de conhecimentos e fortalecimento dessa parceria entre universidade e comunidade”, destacou.

A programação contou ainda com a participação do nutricionista Edilson Soldevilla-Huanca, doutorando em Nutrição da Universidad Nacional Agraria La Molina, em Lima (Peru), que realiza intercâmbio acadêmico no Brasil. Durante a visita, ele compartilhou experiências desenvolvidas em seu país e conheceu as práticas adotadas pelos produtores de Cuité, promovendo uma troca de conhecimentos sobre agricultura familiar e alimentação.

A secretária municipal de Assistência Social, Juliana Bruna, explicou que a participação da Prefeitura surgiu a partir das discussões para a elaboração do Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional.


“Durante as reuniões para elaboração do plano, percebemos a importância de aproximar ainda mais a universidade desse processo. Quando soubemos da realização dessa visita, entendemos que era uma oportunidade de unir esforços e construir ações de forma integrada, valorizando quem produz e fortalecendo as políticas públicas voltadas à segurança alimentar”, afirmou.

Ascom PMC

Saiba como a urna eletrônica garante a soberania do voto

 



Faltando pouco mais de dois meses para as Eleições 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforça que as urnas eletrônicas, utilizadas há 30 anos no país, são submetidas a cerca de 40 etapas de fiscalização e auditoria que envolvem órgãos públicos, partidos políticos, universidades e representantes da sociedade civil.

Segundo o secretário de Tecnologia da Informação da Corte, Júlio Valente, o sistema brasileiro está entre os mais auditáveis do mundo e não registra casos comprovados de fraude.

"Acima de qualquer argumento técnico, nenhum se sobrepõe ao fato de que não temos, desde 1996, nenhum caso comprovado de fraude nas urnas eletrônicas."

Uma das principais etapas de fiscalização é o Teste Público de Segurança (TPS), realizado sempre em anos sem eleições. O procedimento permite que qualquer brasileiro com mais de 18 anos apresente propostas de ataques aos sistemas eleitorais para tentar identificar vulnerabilidades.

Segundo Valente, não é necessário ser especialista em tecnologia para participar. Embora profissionais da área e pesquisadores sejam maioria entre os participantes, qualquer cidadão pode submeter planos de teste.

"O teste público democratiza a possibilidade de validar a segurança do processo eleitoral", afirmou.

Caso alguma fragilidade seja identificada, a equipe técnica do TSE implementa as correções. Depois disso, os próprios investigadores são convidados a retornar ao tribunal para verificar se os problemas apontados foram solucionados antes do ano eleitoral.

Desde sua criação, o TPS já foi realizado oito vezes e recebeu contribuições que resultaram em melhorias nos sistemas utilizados pela Justiça Eleitoral.

Para o secretário, o processo faz com que a segurança das eleições deixe de ser uma responsabilidade exclusiva do tribunal e passe a contar também com a colaboração da sociedade.

Universidades e órgãos públicos

Ao longo dos anos, os testes contaram com a participação de pesquisadores de universidades, especialistas em tecnologia e representantes de instituições públicas.

Entre os participantes das últimas edições, Valente citou equipes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, de universidades do Rio Grande do Sul e da Polícia Federal.

Código-fonte 

Outra etapa do processo de fiscalização é a abertura do código-fonte dos sistemas eleitorais às entidades habilitadas. Segundo o secretário, todos os programas utilizados nas eleições ficam disponíveis para análise um ano antes do pleito.

O código-fonte corresponde às instruções que determinam o funcionamento dos programas de computador. De acordo com Valente, todas as linhas de programação podem ser examinadas pelas instituições fiscalizadoras.

"Não existe absolutamente nenhuma linha do código-fonte que seja escondida, secreta ou que não seja compartilhada com essas instituições."

Inúmeras entidades acompanham essa etapa, incluindo, entre outras, o Congresso Nacional, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Tribunal de Contas da União (TCU), a Polícia Federal, partidos políticos e universidades brasileiras que possuam departamentos de tecnologia da informação.

Segundo o secretário, essas instituições atuam como agentes independentes de fiscalização e reforçam a transparência do processo eleitoral.

Contexto

No último sábado (25), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou que negou vistos de entrada no Brasil a dois funcionários do governo dos EUA: o subsecretário do Departamento de Estado para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, e o subsecretário adjunto Samuel Samson.

 O motivo, segundo o Itamaraty, é que o governo brasileiro tomou conhecimento do interesse do Departamento de Estado estadunidense de enviar funcionários para monitorar as urnas eletrônicas.

Uma reportagem do jornal The Washington Post afirmou que a gestão do presidente Donald Trump pretendia enviar representantes ao Brasil para levantar dúvidas sobre as urnas eletrônicas. O Departamento de Estado americano negou que essa fosse a finalidade da missão.

O TSE marcou para o dia 17 de agosto uma segunda reunião com embaixadores, representantes diplomáticos e organismos internacionais, a fim de explicar o funcionamento da urna eletrônica brasileira, bem como do sistema eleitoral do país.

Agência Brasil

terça-feira, 28 de julho de 2026

Com shows de Seu Pereira, Jô Bay, Renata Arruda e Sandra Belê, Festival de Inverno das Serras começa nesta quinta-feira em Cuité

 



 Cuité se prepara para viver quatro dias de intensa programação cultural, artística, gastronômica e esportiva com a chegada do Festival de Inverno das Serras (FIS 2026). O evento tem início nesta quinta-feira (30) e segue até o domingo (2), reunindo atrações musicais, apresentações culturais, oficinas de artesanato, feira gastronômica e diversas atividades na Rua Valdemar Ernesto dos Santos, ao lado da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Mercês.

Entre os destaques da programação musical estão os shows de Jô Bay, com um tributo a Tim Maia, Sandra Belê, Renata Arruda, Kevin Ndjana e Seu Pereira e Coletivo 401. A abertura oficial acontece na quinta-feira (30), às 19h, no Teatro Municipal Dona Chicota, com a presença do prefeito, autoridades locais, apresentação do Trio Aura e o espetáculo teatral Us Puliças. Logo após, os Seresteiros da Serra conduzem uma serenata até a Praça da Igreja Matriz, onde o palco principal recebe o show de Jô Bay.


Promovido pelo Fórum de Turismo Sustentável do Curimataú, o Festival de Inverno das Serras fortalece a interiorização do turismo na Paraíba, valorizando a cultura regional, a economia criativa e os artistas locais. Além de Cuité, o circuito também contempla os municípios de Araruna, Barra de Santa Rosa, Cacimba de Dentro e Dona Inês.


Para o prefeito Caio Camaraense, o festival é um momento de celebração da identidade cultural e também de fortalecimento da economia local. "O Festival de Inverno das Serras transforma Cuité em um grande ponto de encontro. É bonito ver nossas ruas ocupadas por famílias, artistas, empreendedores e visitantes que chegam para conhecer a nossa cidade. Isso mostra a importância de também investir em cultura”, afirma.


A despedida de um guerreiro: aos 81 anos, Frei Anastácio deixa a vida pública e não disputará mais eleições

 



SUEDNA LIMA

Uma das maiores referências da luta pela reforma agrária e pelos direitos dos trabalhadores rurais na Paraíba está se despedindo da vida pública. Aos 81 anos, Frei Anastácio não disputará as eleições de 2026 e encerra uma trajetória de mais de cinco décadas dedicadas à política, à fé e às causas sociais.

A decisão ocorre em razão do estado de saúde do ex-deputado federal e ex-secretário de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido. Pouco tempo após deixar a Secretaria para cumprir o prazo de desincompatibilização e se preparar para uma nova candidatura à Câmara dos Deputados, Frei Anastácio passou por uma cirurgia para tratamento de varizes nas pernas.

A recuperação transcorria normalmente, mas durante uma viagem ele sofreu uma queda em um hotel, bateu a cabeça e precisou ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Durante o tratamento, os médicos identificaram um coágulo na cabeça. Apesar da evolução clínica, o acidente deixou sequelas importantes, provocando sintomas semelhantes aos da doença de Alzheimer, comprometendo sua memória e sua condição física.

Atualmente, Frei Anastácio vive no convento franciscano de Lagoa Seca, onde recebe os cuidados dos frades. Em razão do quadro de saúde, não possui mais condições de disputar eleições nem de exercer atividades da vida pública.

Trajetória dedicada à justiça social e agricultura familiar

Natural de Esperança, no Agreste paraibano, onde nasceu em 1944, Frei Anastácio construiu uma história marcada pela defesa dos mais pobres, da agricultura familiar e da reforma agrária. Frade franciscano, transformou sua missão religiosa em um compromisso permanente com a justiça social.

Foi um dos fundadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na Paraíba, em 1973, tornando-se presença constante nas comunidades rurais e acompanhando de perto agricultores familiares, assentados, acampados e movimentos populares.

Toda essa caminhada também foi construída dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), legenda na qual militou durante décadas. Integrante da corrente Avante, ajudou a fortalecer o partido na Paraíba, formando lideranças e defendendo bandeiras ligadas à democracia, aos direitos humanos e aos trabalhadores.

Polêmica Paraíba


Cuité realiza I Seminário de Agricultura Familiar nesta quinta-feira

 


A Prefeitura de Cuité realiza, na quinta-feira (30), às 9h, o I Seminário de Agricultura Familiar, evento voltado ao fortalecimento do setor agrícola e à valorização dos agricultores. O encontro será realizado no Auditório do Centro da Criança e do Adolescente e é aberto ao público.

Com o tema voltado para o incentivo à produção rural e ao desenvolvimento sustentável, o evento contará com apresentações das principais ações desenvolvidas no município, reunindo agricultores, instituições parceiras, técnicos e a comunidade para um momento de troca de experiências.

Durante a programação, a equipe da Secretaria Municipal de Agricultura fará um balanço das ações desenvolvidas ao longo dos primeiros 18 meses da gestão do prefeito Caio Camaraense, destacando programas de incentivo à agricultura familiar, cursos e capacitações, projetos executados durante o período, serviços ofertados aos produtores, além dos resultados alcançados e das perspectivas para os próximos anos.

O evento contará ainda com a participação dee instituições parceiras. A EMPAER apresentará o Programa de Fomento Incluir PB; a UFCG, por meio do projeto Núcleo Eu Penso: do Campo ao Campus, compartilhará experiências voltadas ao fortalecimento da agricultura; e o Banco do Nordeste (BNB) promoverá uma palestra sobre financiamento rural, abordando oportunidades de crédito e investimentos para os produtores.

Ao final serão entregues certificados aos participantes de cursos e ações promovidas pela Secretaria de Agricultura. “O seminário é uma demonstração do compromisso da gestão municipal com o fortalecimento da agricultura familiar, reconhecendo o papel dos agricultores no desenvolvimento econômico e na segurança alimentar do município. Esperamos reunir produtores rurais e a população em um espaço de reconhecimento e construção de novas oportunidades para o campo”, pontuou o secretário municipal da Agricultura e do Abastecimento, Mário Ribeiro.


Ascom PMC

 

Padre Edjamir Silva Souza:– Uma semente que cresce no coração e tudo transforma

 



Em todos os momentos da história humana (que é história da salvação) o (re) encontro com Deus e seu projeto de vida sempre foi marcado por muitas alegrias e novas decisões, apesar das muitas tensões: a libertação do povo das mãos dos tiranos e perversos (Ex 7-14. Salmo 136(135), 10-15), o término das guerras (Jz 5. 2 Cr 20, 26-30. Sl 46), a luta contra a fome (Gn 41-47. Rt 1 e 2. 2Rs 7), o desmonte do sistema do crime e diminuição da violência (Sl 10,15. Sl 37, 14-15. Jó 5, 12-13. Sl 46, 9), a garantia dos direitos individuais (Ex 2, 13. 21, 16. 23, 1-2. 6-8. Nm 35. Lv 24, 22. Dt 24,17), o respeito e a inclusão das minorias (Lv 19- 33-34. 22, 21-23. Dt10, 18-19), etc. Isso nos faz pensar que o encontro com Deus é, também, um encontro com Seu Reino e a Sua Justiça” (cf. Mt 6,33).

Na liturgia deste final de semana celebremos as conquistas que Deus nos permite realizá-las. E se me permitem, preciso compartilhar este fruto...

O 20° Anuário Brasileiro de Segurança Pública , divulgado e Julho de 2026, mostrou que o Brasil (2025) registrou 40. 775 mortes violentas intencionais, uma queda de 8,2% representando um menor patamar em 13 anos. Mas, infelizmente, o país atingiu o recorde de 1.571 vítimas de feminicídio (2025), crescimento de violência psicológica (+17%) e perseguição stalking (+30%), 6.602 mortes por intervenção policial (+5,4%). No Estado da Paraíba a taxa recuou para 24,6 mortes por 100 mil habitantes. Foram 1026 crimes violentos letais intencionais (2025), equivalente a 3 mortes por dia. João Pessoa (233), Santa Rita (97) e Bayeux (56) tem o maior índice de violência do Estado. Santa Rita está entre as 10 cidades mais violentas do país e Campina Grande registrou o menor índice entre os grandes municípios paraibano (8,1).   

Sabemos que a violência é uma pauta séria de nosso tempo e ela tem muitas vertentes. Há muita coisa a se fazer e a Igreja, portadora do Evangelho da Vida (do Reino de Deus)  tem um papel fundamental na construção de um novo céu e uma nova terra. Mas, ela tem que está atenta à Palavra da Vida e aos sinais dos tempos.     

O que é o Reino de Deus? Essa é a grande causa de Jesus e a utopia de sua vida. Ele ensinou que o Reino de Deus é uma realidade espiritual que é semeada no campo da vida. Ele faz superar aquele espiritualismo vazio e o moralismo individualista (que reduz as coisas de Deus e as pessoas ao cumprimento de regras e rubricas e emocionalismo), mas algo que se manifesta no dom do amor, na verdade e na justiça. É semente que cresce no coração de pessoas livres, transformando relações e sociedades de dentro para fora.

O evangelho de semana passada (Mt 13, 24-43) nos alertava dos riscos que as comunidades enfrentavam ao acolher a semente do Reino: o joio (a tentação da presunção dos eleitos/meritocracia dos que se sentem superiores aos outros), o grão de mostarda (alertou  da grandeza) e o fermento na massa (alertava do desânimo).

No evangelho de hoje (Mateus 13, 44-52) Jesus continua nos convidando, através das parábolas, à fidelidade ao Reino que Ele ensinou. Porém, Jesus ensinou que para segui-Lo há que se apaixonar por esta causa ao ponto de deixar tudo para segui-Lo. O apóstolo Paulo descreveu muito bem esse “deixar tudo para traz”. Diz ele: “O que para mim era ganho, considerei perda por amor de Cristo” (Fl 3, 7-8).

Quando se encontra Jesus e seu projeto de vida a resposta não é marcada pela euforia das emoções e superficialidade (Mt 13, 20-21), mas pela alegre sinceridade de saber que escolheu estar do lado certo da vida e da história, isto é, dessa justiça do Reino semeada no campo da  vida.

Jesus disse que o Seu Reino não é uma proposta que se torna um fardo pesado (cf. Mt 11, 28-30), mas seu seguimento gera alegria. E a expressão “alegria” aparece 6 vezes no evangelho de Mateus. O seguimento de Jesus qualifica as pessoas e sociedades, não torna ninguém “escravo”, “coisa” ou “propriedade”, mas pessoas dignas. A Justiça do Reino de Deus resgata o ser humano do pecado e o reconecta com a boa arte de viver.

O Reino de Deus é uma busca, uma pesca, um dinamismo constante (e nunca um enrijecimento de coisas já prontas) e cotidiano de quem tem o desejo de vida, de liberdade, autenticidade, verdade e justiça.

“Separar os homens maus” (Mt 13, 49s). O final dos tempos (não é citado o final do mundo) Deus e seus anjos vão fazer esta separação, mas, a nós compete o discernimento: o que é joio e o que é trigo? Os fieis/justos que permaneceram unidos a Jesus e a causa de seu Reino terão vida eterna.

“A fornalha ardente”, uma figura usada pelo profeta Daniel (3,6) inspirou o que Jesus disse nesse texto ao se referir o fim daqueles que não compactuam com o Reino de Deus e a Sua Justiça. Segundo Daniel, Nabucodonosor, rei da Babilônia, condenava ao fogo todos aqueles que não o adorassem.

A fornalha ardente é a destruição completa de quem adora o poder, se destruindo completamente. Quem escolhe o amor, a generosidade, a partilha (próprio do Reino) terá o Reino de Deus, inaugurado por Jesus. A ganância, o poder, a idolatria leva o coração do ser humano à morte. O julgamento por parte de Deus será apenas uma constatação entre quem escolheu a vida ou a morte. Deus apenas separará. “Compreendestes tudo isso?” (Mt 13,51).

“Todo o Mestre da Lei (escriba) que se tornar discípulo de Jesus” (Mt 13, 51). O texto é um convite à conversão das autoridades do Sinédrio, mas serve para todos nós que desejamos seguir Jesus. É preciso ir à escola de Jesus para descobrir (ou mesmo redescobrir) o Reino de Deus. O discípulo de Jesus é discípulo da Nova Aliança e não de um retrocesso.

A historia continua e o Reino de Deus semeado entre nós faz nascer uma sociedade “alternativa” frente a lógica do mundo. Por isso que quem procura o Reino O encontra na vida.

A longa história humana é história de busca pela felicidade. Às vezes, buscando em Deus, às vezes, se distanciando Dele. Às vezes, as pessoas buscam a Deus, mas não querem conformar suas vidas segundo a proposta do Reino, mas apenas para obter favores sobrenaturais (Deus é reduzido a um guru, curandeiro, coaching). O Projeto do Reino de Deus parece não encantar mais. As pessoas de nosso tempo têm dificuldades de se despojarem de seus interesses mesquinhos para configurarem seu viver no dom do Reino. O anúncio eclesial parece ter dificuldades de alcançar a causa de Jesus. “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua Justiça” (Mt 6,33).


Feliz dia dos avós! Boa semana!

Edjamir Silva Souza

Padre e Psicólogo


quinta-feira, 23 de julho de 2026

Cuité promove semana de conscientização para o combate ao trabalho escravo contemporâneo

 



A Prefeitura de Cuité realiza entre os dias 27 e 31 de julho uma programação especial de conscientização sobre o enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo. As atividades são organizadas pela Secretaria Municipal de Assistência Social e serão desenvolvidas em diferentes espaços do município, com o objetivo de fortalecer a rede de proteção social e ampliar o acesso à informação sobre a violação de direitos.

A programação terá início com um pit stop educativo na feira livre e no comércio local, reunindo equipes do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV). A ação levará orientações à população sobre como identificar situações de exploração, além de divulgar os canais de denúncia e os serviços de apoio disponíveis.

Também serão promovidas ações na sala de espera do CRAS, proporcionando momentos de diálogo e orientação com os usuários da assistência social. A programação inclui ainda rodas de conversa com o Grupo de Mulheres do CRAS Bujari e com participantes do Programa de Atenção Integral à Família (PAIF), no CRAS Joana Darc.

As atividades contemplam, ainda, oficinas educativas com os grupos do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), realizadas no Centro da Criança e do Adolescente. Também será promovido um momento formativo voltado aos profissionais do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), com o tema “Proteção Social em Ação: O Papel da Rede no Combate ao Trabalho Escravo Contemporâneo”.

A secretária municipal de Assistência Social, Juliana Bruna, destaca que o combate ao trabalho escravo depende da participação de toda a sociedade. “Muitas vezes, essas violações acontecem de forma silenciosa e passam despercebidas. Por isso é importante levar informação e mostrar à população que existem serviços preparados para acolher, orientar e garantir direitos”, afirmou.

 

Confira a programação:

Segunda-feira (27/07)
*  Pit stop educativo na feira livre e no comércio local – A partir das 8h.
* Oficina com grupos do SCFV no Centro da Criança e do Adolescente

Terça-feira (28/07)
* Ação na Sala de espera no CRAS
* Oficina com grupos do SCFV no Centro da Criança e do Adolescente

Quarta- feira (29/07)
* Roda de conversa com grupo do Programa de Atenção Integral à Família no CRAS Joana Darc – A partir das 10h.
* Roda de conversa com grupo de Mulheres no CRAS Bujari – A partir das 14h.
* Oficina com grupos do SCFV no Centro da Criança e do Adolescente

Quinta-feira (30/07)
* Oficina com grupos do SCFV no Centro da Criança e do Adolescente

Sexta-feira (31/07)
* Momento formativo para profissionais do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Tema: Proteção Social em Ação: O Papel da Rede no Combate ao Trabalho Escravo Contemporâneo. Das 8h às 9h.

Ascom

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Marcos Inácio: o filho de Cuité que venceu sem abandonar suas raízes – Por Napoleão Soares





Há pessoas que deixam sua cidade para conquistar o mundo. E há aquelas que, mesmo alcançando o sucesso, nunca permitem que o mundo as afaste de suas origens. Marcos Inácio pertence ao segundo grupo.

Ao parabenizar Cuité pelos seus 258 anos de fundação, o advogado e empresário não fez apenas uma homenagem protocolar. Falou como alguém que ama verdadeiramente a cidade, conhece seu povo e carrega com orgulho a terra onde nasceu.

Marcos venceu profissionalmente, construiu uma das maiores bancas de advocacia do país e se tornou um dos principais geradores de emprego e oportunidades ligados ao município. Poderia ter seguido adiante e esquecido o lugar de onde saiu. Fez exatamente o contrário: manteve Cuité no centro de sua vida, de seus afetos e de seus projetos.

Pai do prefeito Caio Camaraense e irmão do ex-prefeito Charles Camaraense, Marcos também faz parte de uma família que marcou profundamente a história política recente da cidade. Mas sua importância ultrapassa qualquer mandato ou disputa eleitoral.

Cuité possui muitos filhos ilustres, mas poucos devolveram tanto à cidade quanto Marcos Inácio. Seu maior patrimônio não está apenas no que conquistou para si, mas nas oportunidades que ajudou a criar para tantas outras pessoas.

Aos 258 anos, Cuité celebra sua história. E, nessa história, Marcos Inácio já ocupa um lugar de destaque como seu filho mais ilustre e, disparadamente, um de seus maiores benfeitores.

Por: Napoleão Soares

domingo, 19 de julho de 2026

Coordenador da campanha de Lula na Paraíba mira ampliação da base e estabelece meta de 70% dos votos no estado

 




O coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Paraíba, Charliton Machado, afirmou que a prioridade do Partido dos Trabalhadores (PT) no estado está voltada para a reeleição do presidente em outubro deste ano. Segundo ele, a estratégia da coordenação estadual será concentrar esforços na campanha presidencial, independentemente das alianças construídas para a disputa ao Governo do Estado.

“A campanha de Lula é a única preocupação que está posta em pauta para nós, é a campanha do presidente Lula. Essa campanha não tem fronteira. Ela tem que conversar com todas as forças políticas do estado. Uma coisa é a candidatura de Lula, outra coisa é a aliança estadual do PT com a candidatura de Lucas, João Azevêdo, Veneziano, enfim, as candidaturas majoritárias”, pontuou entrevista ao programa Correio Debate, da rádio Correio 98FM.

Charliton destacou que o objetivo é ampliar o diálogo com diferentes setores políticos para fortalecer o projeto de reeleição do presidente. Ele lembrou o desempenho de Lula na Paraíba em 2022 e revelou a meta estabelecida para o próximo pleito. “O que se propõe, do ponto de vista da coordenação, é cuidar da campanha de Lula. Nós tivemos mais de 66% dos votos em 2022 e temos uma meta, que é alcançar 70% dos votos na Paraíba. Essa luta independe da aliança. Ela vai ter que ampliar suas fronteiras, tem que ser uma frente ampla, conversando com todos os candidatos e com todos os personagens públicos que tenham interesse em votar em Luiz Inácio para presidente”, ressaltou.

O petista também afirmou que está discutindo com a direção nacional do PT a possibilidade de uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Paraíba durante a campanha. Segundo ele, a definição deve ocorrer até o dia 2 de agosto, data da convenção nacional do partido. “Nós estamos em discussões nacionais para que essa agenda seja confirmada até dia 2. A direção vai avaliar e fazer uma discussão para saber quais são os estados que são prioridades para o presidente Lula visitar nesse primeiro momento”, concluiu.

Enquanto a coordenação estadual organiza a mobilização política, o PT já definiu o calendário nacional da campanha. A convenção que oficializará a candidatura de Lula à reeleição está marcada para o dia 1º de agosto, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. A campanha eleitoral será iniciada oficialmente em 16 de agosto, data a partir da qual passam a ser permitidos pedidos explícitos de voto, realização de comícios, carreatas, distribuição de material gráfico e impulsionamento de propaganda eleitoral na internet. Ainda na preparação para a disputa, Lula confirmou, no fim de março, a indicação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para repetir a chapa presidencial este ano.

Fonte83

Padre Edjamir Silva Souza:– Os filhos do Reino são semeados por Jesus

 




O sentido litúrgico da Liturgia da Palavra neste 16º Domingo do Tempo Comum nos fala da bondade de Deus: “Ó Senhor, vós sois bom e clemente (...), sois tão grande e fazeis maravilhas” (cf Sl 85(86), 5. 10) que “vem em socorro da nossa fraqueza humana” (cf. Rm 8, 26), mas ao mesmo tempo nos fala da bondade de seus seguidores: “assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano” (Sb 12 19).

As três parábolas que escutamos hoje (Mt 13, 24-43) e que continuam o que ouvimos semana passada (Mt 13, 1-23), dão testemunho de que o Reino de Deus está no meio de nós. O Reino de Deus não começa no final dos tempos, mas com a semente plantada no chão da história: trigo, mostarda e fermento, este é o Reino dos Céus no aqui e agora.

Jesus é o grande semeador e interprete do Reino. Na verdade, Ele é o Reino de Deus semeado entre nós e para todos nós. Os filhos do Reino são semeados por Jesus que não teve receio de se misturar com todos. Mas, houve quem não entendeu, houve quem não quis entender, houve quem vivendo na idolatria do ouro e da prata não quis outra coisa, houve quem deixou o diabo levar a semente e houve quem deixasse o diabo semear a iniquidade dentro dele e no meio da comunidade.

O evangelista Mateus, ao escrever no inicio do evangelho, o emblemático relato das tentações de Jesus no deserto (Mt 4, 1-11), diz que também é frequente as tentações que as suas comunidades enfrentam. À medida que o evangelho discorre, vamos percebendo os ecos daquela mensagem de Jesus no deserto: trigo e joio foram semeados. 

Há uma frequente tentação de grandeza, entre os discípulos de Jesus. A semente do Reino foi plantada sob o signo da humildade da cruz. O serviço humano e humilde sempre esteve nos ensinamentos do Reino. Mas, o joio, uma semente tóxica, foi semeado no meio do trigo. Existem servos muito zelosos que se envaideceram e trouxeram muita divisão e desordem desprezando os outros. Zelo (trigo) e desprezo (joio) infelizmente é uma tentação frequente nas comunidades. 

A pequena “semente de mostarda”, sinal do Reino de Deus, contrapõe a mania de grandeza dos que estão na vida comunitária, mas também na sociedade. 

O profeta Ezequiel (cap. 17) imaginou o Reino de Deus como o Cedro, o rei das árvores colocado numa alta montanha (Texto paralelo Mt 4, 8-10: “O diabo levou Jesus para um monte alto, mostrou-lhes todos os reinos do mundo e suas grandezas e disse; ‘Eu lhe darei tudo isso se você se ajoelhar e me adorar’”).

A ‘pequena semente’ não chama muito a atenção, mas, silenciosamente, chega a todos os lugares e abriga a muitos. Sua finalidade não é a imponência, mas serviço humilde: “dar abrigo”. 

A parábola continua a ser contata numa tentativa de combater outra tentação. Em Mt 13, 33-43 surge a idéia de O “fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha até que tudo fique bem fermentado”.

No evangelho de Mateus, Jesus rejeita veementemente o fermento dos ensinamentos dos fariseus e saduceus: “Estejam atentos e tenham cuidado com o fermento dos fariseus e saduceus que é a hipocrisia” (16,6). Este é o ensinamento do legalismo, da imagem, do formalismo, do status religioso, do tradicionalismo que geram fardos pesados e a falsa sensação de santidade. 

“As três porções de fermento” faz crescer alegria diante da tentação do desânimo que os fardos pesados impõem na vida comunitária. O joio dos fariseus e saduceus, semeado na vida comunitária cristã, se tornou pesado, mas uma boa porção do fermento bom (assim como o vinho bom) sempre traz alegria e renovação para a vida em comunidade. 

Os discípulos tem dificuldade de compreensão: “explica-nos a parábola do joio” (Mt 13, 36s). Jesus ensina tentando dizer-lhes que é preciso evitar as tentações de grandeza e superioridade na vida comunitária. Cada pessoa escolhe o que quer ser: trigo ou joio. Mesmo assim, a mensagem de Jesus vai se cumprir apesar da escolha do que queremos ser.  

É importante ao discípulo de Cristo não perder tempo com as modinhas religiosas, mas “buscar viver em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua Justiça” (Mt 6, 33). As leituras de hoje nos dão um bonito recado de que o Reino de Deus é uma semente que se mistura com todos e para todos. Os verdadeiros discípulos de Cristo não ficam se esquivando das realidades do mundo e sempre acusando o mundo de degeneração. Sempre foi uma ideia “equivocada” de que enquanto mais longe de todos, mas puros e santos seremos. Está a teologia dos fariseus, não a teologia do Reino. 

Para muitos, a salvação é feita de isolamentos, de presunção narcisista, de um duro combate com seus bons desejos, achando que mergulhado no cumprimento de leis, vivendo de rituais e sacrifícios, já estão justificados diante de Deus. A mentalidade do Reino vai por outra via que ainda hoje as pessoas não entendem. 

A bondade de Deus é para com todos. Deus não se fecha em grupos piedosos que vivem a se rotular como bons e os outros são maus. Todos necessitam da bondade de Deus e a semente do Reino de Deus ensina aquilo que dizia a primeira leitura: “ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano” (Sb 12 19).

A parábola alerta que a nós não compete o julgamento de ninguém, mas de sermos uma terra boa para nos tornarmos discípulos do Reino. Assim, como tudo se mistura (na parábola), assim se aprende que o Reino é feito de uma justiça que salva a todos e quer ver todos unidos. 

O triunfalismo de igrejas cheias para subjugar e condenar a fragilidade dos outros (a mania de grandeza), não é a terra boa que o Reino espera. Jesus não admite uma igreja que não se envolve com os dramas humanos. Nossas comunidades devem existir com veemência no mundo com o desejo de levar as lições do Reino de Deus. Mas, para tanto, é preciso superar as tentações do fanatismo que é tão tóxico e causa um dano severo: vida amarga, pesada e insuportável.  

Que tipo de chão eu sou? Qual a semente o meu coração acolheu (joio ou trigo)? Sou um discípulo de Jesus ou mais um zeloso fanático que é pesado na vida comunitária? Sou discípulo do Reino de Jesus ou das modinhas devocionais de meu tempo? 


Edjamir Silva Souza

Padre e Psicólogo

sexta-feira, 17 de julho de 2026

CUITÉ: 258 ANOS DE CHÃO, FÉ E PERGUNTAS

 


Flauberto Fonseca


Mais um ano chegou, e comemorar o aniversário de Cuité é parte integrante de nossas conquistas. Porém, antes precisamos entender todo o contexto da história: desde a fundação até os dias atuais.

O nome Cuité tem origem no coitezeiro. No dialeto indígena, "Cuy" significava vasilha e "Eté", grande, real, ilustre. Eram os Sucurús, da nação Tarairiú, quem habitava a Serra de Cuité antes da chegada do homem branco. 

No fim do século XVII, após a guerra de expulsão dos chamados “bárbaros”, o povoamento começou. Chegaram os primeiros povoadores das margens do Rio São Francisco e da Zona da Mata pernambucana, em busca de terra para lavoura e gado.

É de ciência pública que a primeira sesmaria da região data de 8 de dezembro de 1704. O Conde de Alvor pediu terras ao longo do Olho D’água do Cuité. 

No mesmo mês, outros sesmeiros requereram datas às margens do Rio Jacu. Quase todos, porém, tomavam posse por procuradores.

Na mesma época, o coronel Caetano Dantas Correia requereu a data Lagoa do Cuité. A ele se atribui a fundação do município, junto com sua esposa, Josefa de Araújo Pereira. Em 17 de julho de 1768, doaram meia légua de terras nas proximidades do Olho D’água para erguer uma capela em honra a Nossa Senhora das Mercês. 

Essa escritura, lavrada em Piancó, é considerada a “certidão de batismo” de Cuité e foi descoberta pelo historiador Coriolano de Medeiros.

Fazendo uma leitura clara das rotas que Caetano Dantas usava para acessar a Serra, "entendo que" não há dúvida: a entrada se dava pelas terras da atual Frei Martinho.

Falo geograficamente por nossa proximidade com Carnaúba dos Dantas, na divisa com a Paraíba, também ligada ao nome do sesmeiro.

As décadas finais do século XVIII são obscuras. O certo é que o agrupamento em torno da capela só ganhou forma urbana após a criação da freguesia. 

Em outubro de 1827, pela Lei Provincial nº 15, nasceu o Distrito de Paz de Cuité. Em 4 de maio de 1854, virou Vila do Cuité. Em 25 de junho de 1872, a Lei nº 480 criou a Comarca de Borborema, com sede na vila.

Por razões políticas, em 29 de outubro de 1904 a comarca foi transferida para Picuí. Cuité ficou subordinada até 18 de dezembro de 1936, quando a Lei Estadual nº 99 restaurou o município com o nome de Serra de Cuité. 

A emancipação veio de um movimento popular: Jeremias Venâncio, João Venâncio, padre Luiz Santiago, Pedro Viana da Costa e tantos outros. 

O município foi instalado em 25 de janeiro de 1937. No ano seguinte, o Decreto-Lei nº 1.164 simplificou o nome para CUITÉ.

Hoje, o que traduzimos como referências são muitas narrativas e escritos que lastreiam nossa história. Ainda que existam anotações de diversos autores, sempre haverá perguntas sem respostas: onde, de fato, a cidade começou e até onde seu expansionismo alcançou nos primeiros anos de ocupação do platô serrano?

258 anos depois, Cuité carrega no nome a cuia indígena, no chão a sesmaria de Caetano Dantas e na memória a luta de um povo que fez e faz uma cidade com fé, tenacidade e coragem.

Que o município alcance, por movimentos sólidos e constantes, inspirada em toda a sua potencialidade e de mãos dadas com o seu povo, o desenvolvimento tão almejado.

Parabéns, Cuité, pelo transcorrer de mais um ano de fundação. Que seu povo tenha o reconhecimento por sua valorosa contribuição em prol do seu desenvolvimento.

Flauberto Fonseca

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Casal de Campina Grande morre atropelado ao colidir moto em traseira de carro em Soledade

 



Um casal de Campina Grande morreu em um grave acidente na PB-177, em Soledade, na tarde do domingo (12).

As vítimas foram identificadas como José Felipe Monteiro Tavares, de 21 anos, e Eduarda Nero Custódio, de 16 anos.

Segundo a Polícia Militar, a motocicleta em que eles estavam bateu na traseira de um carro que seguia no mesmo sentido da rodovia.

Com o impacto, os dois foram arremessados para a pista e acabaram sendo atropelados por outro veículo que vinha na direção contrária. Ambos morreram no local.

O motorista do primeiro carro prestou depoimento e foi liberado.

A Polícia Civil investiga as causas do acidente com auxílio da perícia realizada na rodovia.


Paraíbaonline

Padre Edjamir Silva Souza:– A semente do Reino e o Espírito que produz vida

 




A liturgia da Palavra neste 14º Domingo do Tempo Comum nos faz uma pergunta: Como estamos acolhendo a Palavra de Deus?

Na 1ª Leitura (Isaías 55, 10-11) o profeta nos fala da eficácia da Palavra de Deus. É uma palavra de consolação a um povo que esteve no cativeiro. Ele sabe que a Palavra de Deus proclamada não retorna ao céu sem produzir frutos. A terra árida produzirá frutos. A natureza tem um ciclo de produção e se torna imagem da própria vida. Cada qual garante sua participação: a chuva, a semente, a terra boa.

A Palavra de Deus sempre será um estimulo de ação e nunca um anestésico que nos coloque em relação passiva diante do mundo. A medida de nossa responsabilidade passa pela resposta que damos ao Reino da Vida,

Na 2ª Leitura (Rm 8,18-23) Paulo continua ensinando que o caminho da salvação oferecido por Jesus não é fruto de nosso mérito, mas uma dádiva única e exclusiva da bondade de Deus. A salvação atua em nós pela ação do Espírito Santo quando lhe damos abertura.

Paulo universaliza a salvação dizendo que toda a criação precisa viver uma vida de acordo com os desígnios de Deus. A vida plena depende das escolhas que são feitas. O apóstolo ensina que por causa do egoísmo humano a criação sofre. A vida não pode acontecer quando as pessoas vivem na carne (egoísmo, arrogante, etc). O horizonte de maldição e de morte ocorre, não por misticismos, mas quando o egoísmo se expande.  Viver no Espírito é fazer a vida acontecer para todos. O Espírito de Deus faz acontecer um novo céu e uma nova terra. Mas, viveremos na lógica da dor enquanto o pecado reinar nos corações das pessoas.

O Espírito nos faz atravessar as duras etapas da vida, mas ele mesmo nos dirá as renúncias necessárias que devemos fazer para que a vida aconteça. A mulher em dores de parto é a imagem de que as dores de certas renúncias podem favorecer para que a vida aconteça.

Quando imaginamos os senhores que detém as grandes fortunas renunciando a lógica do ter para partilhar, quando imaginamos que os senhores das guerras renunciam suas ambições e desfazem os instrumentos de guerras para que haja a paz, quando renunciarmos nossa mania de querer dominar tudo, então, a vida acontecerá para os outros e a vida nova no Espírito acontecerá, mesmo como que em dores de parto.

Somos resistentes às renúncias porque temos medo da sensação de ter perdido algo, de ter deixado algo para trás, dessas vulnerabilidades interpretadas erroneamente como fracasso ou fraquezas, queremos ser onipotentes. Achamos que ter tudo ou controlar tudo é a garantia de viver bem.

A vida dá sinais de dores quando a exploramos de modo errado, mas quem terá a sabedoria do Espirito para perceber isso? A ideologia da meritocracia não aceita que tudo é de Deus e, por isso, tem medo de que o evangelho desmonte os senhores deste mundo. Estes senhores fazem a vida sofrer.

O cristão tem que perceber, no Espírito, quando as renúncias são vazias de sentido. Nossa sociedade é carente de sentido e, por isso, muito fácil aos oportunistas disfarçados de “gente boa”. O que significa fazer jejum, quarentenas, grandes procissões, ser assíduo na missa dominical, distribuir cestas básicas quando fazemos isso sem o propósito de que a justiça do Reino de Deus aconteça (cf. Is 58, 3-9. Mt  9,14-15). O que significa vender sua casa ou seu transporte para dar tudo de oferta a um pregador que vive só pedindo dinheiro (e vive no luxo) e fazendo promessas vazias e você mesmo ficar na dependência dos outros ou mesmo na miséria. Será que essa é a renúncia que Deus quer? Não seria a vontade daquele empolgado pregador?

Compreendamos de uma vez por todas que a criação deve ser vista no espírito de fraternidade e partilha. LEMBRE-SE QUE TUDO É DE DEUS E NINGUEM É DONO DE NADA E NEM SENHOR DE NINGUÉM. Lembre-se que os pequenos hábitos de renúncias podem mudar a vida e inspirar muita gente boa (na justiça e na paz). Deixemos para as futuras gerações um ambiente seguro e de vida fraterna.        

No Evangelho (Mt 13, 1-23) entramos nas Parábolas do Reino. Jesus prefere ensinar o Reino dessa maneira e não como os velhos esquemas dos fariseus. Jesus é o semeador que saiu para semear o Reino no terreno da vida. Quem dá abertura, então, a vida nasce (ou renasce) e produz frutos. As parábolas não são ensinamentos prontos, mas desafiam o povo a pensar a vida...

Enquanto Jesus semeava foi acusado pelos fariseus de desobediência e chamado até mesmo de Belzebu, porque fazia o bem. Como é difícil para muitos que estão ligados ao templo compreenderem que é fazendo o bem que nos salvamos. Os fariseus radicais e piedosos tinham dúvidas em relação a isso. Eles viviam pedindo sinais e os gestos de bondade eram insuficientes para que eles acreditassem. As propostas de Jesus encontravam resistências e fechamentos por parte de muitos. Mas, quem acredita Nele dará frutos mesmo em meio as descrenças dos outros.

Em nosso tempo o Reino enfrenta as distrações e os ruídos de uma sociedade que espalha ódio. A Palavra de Deus, caída à beira do caminho das nossas supercialidades, está sujeita aos pássaros que hoje roubam as sementes: a cultura do ódio e cancelamento por causa da cor, gênero, região, situação econômica e social. Há pessoas que detestam ouvir isso.

É muito comum encontrar igrejas lotadas para ouvir palavras de conveniências, mas quando as profecias do Reino nos chegam com toda a sua força e originalidade, então, perdemos a empolgação. Gostamos de cantar que nossa vida tem sido “como a terra seca que anseia pela chuva”, mas quando a chuva que semeia o Reino dentro de nós chega, não nos comprometemos, pois queríamos apenas cantar para sentir uma emoção. CONTINUAMOS SENDO TERRA SECA.

O Reino de Deus, anunciado por Jesus, denuncia os espinhos da ganância que sufocam o bem comum e a fraternidade. Uma sociedade injusta sufoca inclusive a saúde mental do povo e a vida do trabalhador. Os espinhos da vaidade e a busca desenfreada pelo status social disfarçam muito bem as falsas religiosidades de nosso tempo. A teologia da prosperidade disfarça muito bem as inversões de valores onde as coisas valem mais do que as pessoas. O acúmulo dos bens sufoca a proposta do REINO DE DEUS.

Quando nossos pregadores não se comprometem com a justiça, são estes que vivem a beira do caminho. Chacoalham e emocionam as assembleias, mas não tem maturidade para enfrentar as injustiças da vida, não estão preocupados com a Aliança e nem com o bem do povo.

Jesus é o semeador que escandaliza. Ele é Palavra semeada que denuncia o sintoma social que todo mundo vê, mas faz de conta que não vê. Ele questiona todo o escapismo espiritual de quem vive dizendo “Senhor, Senhor”, mas nunca será salvo por causa de sua indiferença.

Às vezes, a semente não entra, porque se ela entrar vai quebrar a nossa ilusão de que somos “pessoas de bem”. Concluo retornando a pergunta que fizemos no início: Como estamos acolhendo a Palavra de Deus?

Boa semana!

 

Edjamir Silva Souza

Padre e Psicólogo